Terça, 23 de Outubro de 2007, 08:49 AM

Por Antônio Falcão
Para todos, Nílton dos Reis Santos ia longe, pois aos 14 anos era ídolo na carioca Ilha do Governador, onde nasceu em 16 de maio de 1925. Mas – para ajudar ao pai, Pedro, pescador, e à mãe, Josélia, servente de escola – largou a ponta-esquerda da equipe adulta de Flexeiras, recanto humilde e nome do time do bairro. E foi ser garçom na cantina de um hangar norte-americano, instalado na Ilha do Governador durante a II Guerra Mundial. Por extensão, Nílton também largou os estudos na terceira série do primeiro grau.
E em 1945, como recruta da Aeronáutica de 1,84 m de altura, ele gozava de regalias, pois era o meia-armardor da equipe do quartel. Daí, assim que Nílton saiu da farda, o major Honório – goleador do time da caserna graças aos seus passes – levou-o ao Botafogo. E no campo alvinegro (atual estádio Nílton Santos), em General Severiano, o futebol do ilhéu convenceu ao técnico Zezé Moreira e ao presidente do clube, Carlito Rocha. Antes, Nílton fora ao Fluminense, mas, tímido diante de craques como Rodrigues e Ademir Menezes, desistiu e voltou à Ilha. Outra vez, jogando pela Aeronáutica, o São Cristóvão quis contratá-lo. Todavia, o seu protetor – major Honório (depois, brigadeiro) – aconselhou-o a não assinar contrato com time pequeno.
No Botafogo, Nílton Santos só estreou na equipe profissional em março de 1948. E não no ataque, como queria, mas na lateral-direita, a pedido do presidente Carlito Rocha. O clube, já sem o magistral Heleno de Freitas, nesse ano seria campeão do Rio, com Nílton sendo o destaque da temporada. Em campo, pelo fino trato de bola, o ilhéu introduziu um novo estilo de ala: saber atacar – coisa que, hoje, raros laterais fazem com êxito. Depois, temporão, ele só se insinuou como craque aos 23 anos. E sem jamais ter sido juvenil, o que é raríssimo. Assim, quando venceu pela seleção o sul-americano de 1949, ninguém estranhou. Nem em 1950, ganhando o nacional de seleções estaduais pelos cariocas. E as Copas Rio Branco e Oswaldo Cruz de 56, 61 e 62 pelo País. Ou sendo o suplente de Augusto naquela Copa do Mundo perdida no Brasil, em pleno Maracanã.
Nesses selecionados, Nílton Santos via o técnico Flávio Costa implicar com a sua chuteira de bico mole. E, calado, ouviu desse dono do futebol brasileiro de então: “Beque meu joga com chuteira de bico duro e não dribla” – aí, pensou o ilhéu, viva Bigode do carrinho! E Nílton ironizaria depois: “Só que eu, por não gostar de jogar na defesa, não aprendi a dar de bico. Por isso, fiquei na reserva com o protesto do Zizinho”. Entretanto, a partir do campeonato pan-americano de 1952 – ganho pelo Brasil –, o botafoguense seria o titular do escrete brasileiro até 62, com e sem Flávio Costa.
Em 1953, dois marcos para ele: a chegada de Garrincha ao Botafogo e o casamento com Abigail. O primeiro lhe deu alegrias, foi o seu compadre e amigo, “veio para nos ensinar a simplicidade... doar-se..., ser amado e sentido... É assim que eu prefiro vê-lo e é assim que o sinto” – disse do amigo no livro Minha Bola, Minha Vida. O casamento dera-lhe o filho Carlos Eduardo. Em 54, na Copa do Mundo na Suíça, Nílton viu o Brasil perdido, ignaro e patrioteiro no vestiário – vinguem os mortos de Pistóia! (uma referência à cidade italiana onde os soldados brasileiros lutaram na II Guerra Mundial). Ou, no túnel, sendo obrigado a beijar a bandeira: “Quem não o fizesse, seria estigmatizado pelo grupo, era comunista” – diz Nílton Santos nas memórias. Esse fiasco suíço sumiu em 1955, vencendo a Copa O'Higgins (idem em 59 e 61). A seguir, ele ganhou a Taça do Atlântico (idem em 60) e voltou com o escrete à Europa. Em 1957, ele quis Zizinho no Botafogo, mas o clube – porque Ziza chutara Biriba, um cão-mascote do time – descartou e o Mestre foi para o São Paulo. Nesse ano, o alvinegro carioca teve João Saldanha como técnico, um supertime e o título. Foi aí que o radialista Waldir Amaral batizou Nílton Santos de “Enciclopédia do Futebol” – o cognome justo para o melhor lateral-esquerdo do século, assim reconhecido pela Fifa, em 1998.
Mas o seu auge foi vencer a Copa do Mundo na Suécia e ser visto como o melhor na sua posição desse certame, em 58. No Chile, quatro anos adiante, o bicampeonato pelo Brasil. Ainda em 1962, o Botafogo repetiu o título carioca e venceu o torneio Rio-São Paulo – este, também em 64, data em que o País perdeu a liberdade em um golpe de estado. E, no fim do ano, o Brasil também perdeu o prazer de assistir Nílton dos Reis Santos atuando, pois ele decidira perdurar as chuteiras. Ao todo, o Enciclopédia do Futebol fez 729 jogos pelo Botafogo e 84 no selecionado brasileiro; com 11 gols assinalados pelo clube e 3 pelo escrete nacional.
No povo, a esperança que ele levasse a carreira adiante, indo além dos 40 anos. Porém, Nílton, que desde 62 era quarto zagueiro, descobriu que a direção do Botafogo não retribuía a lealdade que ele tivera com o time ao firmar contratos em branco. E que isso era pretexto para conter o salário de outros jogadores. Depois, o Enciclopédia viu com tristeza Garrincha, no ocaso, ser maltratado no alvinegro que ajudara a construir. Aí disse basta antes que o seu contrato expirasse em abril de 1965. Um cartola ainda rogou para ele ficar, recebendo por mês, como se jogasse. E, indignado, o artista se valeu do pedido doando os salários aos mais humildes funcionários do Botafogo, clube ao qual – “com espírito de amador”, como escreveu em preto e branco – Nílton serviu, única e profissionalmente, por quase 18 anos.
Antes de sair das canchas, ele se arranjou no governo, gerindo os estádios do Rio de Janeiro. Depois, participaria de um órgão de apoio aos atletas, através do qual ajudara vários ex-craques. E na ex-Legião Brasileira de Assistência – LBA decidiu ensinar futebol às crianças, desenvolvendo projetos de educação na periferia do Rio. Em contrapartida, o Enciclopédia aprendeu com a molecada a crua realidade social do País. Tanto que um menino lhe revelara em tom de gratidão: “Professor, quando parar um parente seu na avenida Brasil, mande falar no seu nome que a gente livra ele” – livra de ser assaltado, claro.
Nessa tarefa de trabalhar com crianças, Nílton assessorou prefeituras e entidades aptas a instalar escolinhas de futebol. Por isso, ele foi viver em Brasília, onde soube que no estado de Tocantins, ao Norte do Brasil, um moderno estádio também estampa o seu nome. Mas, antes dessa lida com as crianças, Nílton Santos foi também técnico profissional dos Galícia e Vitória baianos, Bonsucesso carioca, São Paulo gaúcho e Taguatinga brasiliense. Além de ser duas vezes diretor de futebol do Botafogo carioca – na primeira, tendo Tim (para Zizinho, o melhor técnico brasileiro) como treinador. Afora o que fez, em 1980 Nílton pôs uma loja de material esportivo e, desastrado no comércio, quase faliu.
Tudo isso sem se afastar da segunda mulher, dos filhos – um deles do primeiro casamento – e da netinha Hanna, que faz dele o que ele fazia com a bola: o que quer... De melhor, o ex-lateral-esquerdo botafoguense ouve e fala bem dos amigos – isso lhe amolece a alma octogenária, de cabelos brancos. Ou, comovido, quando ele lê que o finado jornalista Sandro Moreyra acresceu – faz tempo – ao título do disco Ella Fitzgerald interpreta Cole Porter: “com a mesma facilidade com que Nílton Santos joga futebol”.
Segunda, 22 de Outubro de 2007, 08:17 PM
Após prolongadas férias, Miquito, o mau-humorado, repórter itinerante e mascote do Arquibancada resolveu se apresentar para o trabalho. Indaguei, curioso, por que tanto tempo longe do blog.
Miquito me culpou pelo afastamento. Lembrou-se de um sábado em que o levei para assistir a um jogo na casa do amigo Giba Carvalheira. Ele tomou um comprimido que viu em cima de uma mesa e foi pro espaço. Esqueceu o futebol. Voltei para casa naquele sábado e ele ficou pendurado nos galhos de um frondosa mangueira, deleitando-se com as tommy.
Agora que retornou, insisti que ele deveria dar uma volta nos clubes, observar o movimento. Miquito ficou cabisbaixo e confessou que visitou uma das agremiações, mas não quis dizer o nome.
- Estou deprimido.
- Mas por que, Miquito?"
E fez seu discurso habitual, destilando desesperança:
- Cheguei ao clube e vi que as coisas não andam bem. O time vai mau das pernas, o técnico é retranqueiro e ganha uma fortuna. E aquele dirigente que vivia ligando para mim, dando aquele toque de judeu, sabe?"
- Como?
- O toque de judeu -, repetiu, prosseguindo:
- É quando o sujeito anda mal do bolso. Ele liga para as pessoas e quando o telefone toca, ele desliga, esperando que a pessoa retorne a ligação para conversarem. Quem paga a conta é quem liga, não é?
- É!!. Mas e daí?
- E daí que o sujeito que só andava liso, dando toque de judeu para os repórteres, agora ficou rico. Cheguei no clube e vi quando ele estacionou um carrão danado, não sei nem a marca.
- Mas como é, Miquito, o clube tá na pior e o diretor que dava toque de judeu está com um carrão?
- Isto mesmo. Acho que eles não estão nem aí para o time, que corre risco de rebaixamento.
- Mas e o tal diretor que dava toque de judeu agora não liga mais não é?
- Ele esqueceu os repórteres, virou um sujeito de pouca conversa. Agora só fala de celular com empresários de futebol, coisa e tal. Notícia que é bom, tá difícil, ele não dá nenhuma. E ainda diz que a imprensa persegue o time dele e não sabe de nada.
Domingo, 21 de Outubro de 2007, 09:26 PM
EMOÇÃO NA CHEGADA - A seis rodadas do final da Série A do Brasileiro apenas um clube está matematicamente rebaixado, o América de Natal. Juventude, Paraná e Corinthians têm chances de escapar, embora o alviverde gaúcho e o time paranista estejam mais ameaçados. Goiás, Sport e Náutico também correm risco, assim como os dois Atléticos e o Figueirense.
MÉDIA ALTA - Como registrou Juca Kfouri em seu blog, a média de público da 32ª rodada foi a mais alta até agora da competição, perto de 30 mil pessoas, prova de que o Campeonato por pontos corridos é interessante e atrai o torcedor, mesmo com o campeão, São Paulo, praticamente definido. Há a briga pelas vagas na Libertadores e, mais emocionante ainda, a guerra para fugir do rebaixamento.
GOLEIRAÇO - Tenho visto ótimos goleiros neste Brasileiro, como Diego Cavalieri, do Palmeiras, Fernando Henrique, do Fluminense, mas o corintiano Felipe é para mim a grande revelação do Campeonato nesta posição. É ágil, arrojado, posiciona-se bem e tem personalidade, apesar de ser ainda um garoto. Num ano de inferno astral como vive o Corinthians, Felipe brilha sozinho. Desculpem se não citei Rogério Ceni. Por motivos óbvios, claro.
A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR - Quando é que vai acabar a lua-de-mel entre Geninho e a diretoria do Sport? Ninguém agüenta mais Gabiru como titular e Anderson Aquino no banco. Tampouco o esquema com três zagueiros que o treinador insiste em empurrar goela abaixo da equipe.
Domingo, 21 de Outubro de 2007, 06:17 PM
Por José Neves Cabral
Não foi um recital de futebol, como os alvirrubros que estiveram nos Aflitos esta tarde esperavam. Mas o Náutico mostrou as principais virtudes que fazem uma equipe vencedora: concentração, solidez, persistência. E talento também, é claro. Talento que sobrou em Geraldo ao converter um pênalti aos 43 minutos do segundo tempo, fazendo a torcida respirar de alívio, após 88 minutos de tensão.
O Náutico é agora o 14º colocado na classificação, com 43 pontos, estando à frente do Sport, 15º, por ter melhor saldo de gols. A vitória sobre o Corinthians foi justa, embora tenha sido um castigo para o Timão ter segurado o placar por tanto tempo e no finalzinho ver frustrado o sonho de sair com um empate dos Aflitos por causa de um pênalti bobo, cometido pelo atabalhoado Aílton.
Mas futebol é assim mesmo, como conformou-se o técnico Nelsinho Baptista nas entrevistas após o jogo. O próximo compromisso do Náutico é mais duro ainda. Vai encarar o Grêmio, no Olímpico, mas desta vez deverá contar com o uruguaio Acosta, artilheiro da equipe na competição.
DESPENCOU - A nota negativa da 32ª rodada da Série A do Brasileiro foi a considerável queda do Sport na classificação. Começou a rodada no sétimo lugar e despencou para a 15ª posição. O Leão agora é sim candidato ao rebaixamento queiram ou não queiram os dirigentes do clube. Está cinco pontos à frente do Corinthiahs, 17º e primeiro dos últimos e a dois pontos do Goiás, 16º.
Domingo, 21 de Outubro de 2007, 06:11 AM
O ferrolho de Geninho, mais uma vez, ruiu. Botafogo 3x1 Sport, no Engenhão.
Méritos para o Botafogo? Sim. Mesmo em má fase, vinha de cinco derrotas, foi o time que procurou a vitória, buscou o gol, que saiu logo cedo num belo chute de Lúcio Flávio no ângullo esquerdo de Magrão.
Mas o Sport também contribuiu para a derrota. No texto anterior, já havia alertado aqui para a intrigante covardia de Geninho, que armou o time pernambucano com apenas um atacante e voltou a escalar três zagueiros, atraindo o rival para sua área.
O Sport criou pouco, marcou pouco. Júnior Maranhão e Ticão fizeram suas piores exibições com a camisa do Sport. Romerito movimentou-se bem, mas, curiosamente, foi substituído no segundo tempo.
Luciano Almeida marcou o segundo gol do Botafogo e logo depois sofreu uma fratura na perna direita ao prender o pé na grama. Lamentável.
E Dodô, o artilheiro dos gols bonitos, pegou de primeira um cruzamento de Lúcio Flávio e marcou o terceiro dos cariocas.
Geninho, então, resolveu que era hora de atacar. Colocou Anderson e Reginaldo em campo e este último fez o gol de honra do Sport.
Curioso: o Sport na retranca levou três gols, mas quando atacou fez um.
Ao final desta rodada, o Sport deverá despencar algumas posições. Ficará entre o 12º e o 16º lugar na Série A do Brasileiro.
O Santa também se complicou em casa com o Gama (1x1). O resultado apenas evidencia que a luta tricolor é contra o rebaixamento à Série C.
E hoje o Náutico recebe o Corinthians, nos Aflitos. O Timão já enfrentou os alvirrubros três vezes este ano, perdeu duas e empatou uma. Será que a cota do Náutico acabou ou ainda cabe mais uma vitória em cima dos paulistas?
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