Sexta, 29 de Agosto de 2008, 09:23 AM
A crise do Santa Cruz já atravessa duas décadas.
Minha dúvida é se a saída antecipada de Edinho da presidência vai abrir perspectivas para a aparição de novos candidatos e potenciais líderes do clube.
Com a antecipação das eleições para setembro, o clube ganha tempo para quem assumi-lo passar a trabalhar imediatamente e tentar rearrumar a casa para o próximo ano.
Só não acredito numa mudança radical. No Arruda, isso nunca aconteceu.
O poder vai parar sempre nas mãos dos mesmos.
Quem viver verá.
Quinta, 28 de Agosto de 2008, 07:17 AM
Textos publicados ontem no site da Revista Algomais Por José Neves Cabral
Um grupo de torcedores revoltados posicionado à frente do Departamento de Futebol. Na espreita do grupo, policiais e seguranças. Na sala de imprensa um clima de fim de festa. Não era o final que o presidente Edson Nogueira imaginou para si no Santa Cruz. Pressionado pela torcida após dois anos de resultados pífios no futebol, culminando com o rebaixamento do clube à Série C e uma possível queda para a D, ele anunciou na tarde desta quarta-feira sua saída do clube, antecipando as eleições, previstas para dezembro.
Com o semblante aparentando tranqüilidade, Edinho estava ao lado do presidente do Conselho Deliberativo do clube, Alexandre Férrer, dos diretores de futebol e do conselheiro Dirceu Lins e Silva. Preferiu não sentar à mesa, onde estavam seus companheiros de direção. De pé, um pouco à frente, anunciou que solicitou ao presidente do Conselho a antecipação do pleito, pois considera que é hora de outros mais jovens assumirem o destino do clube. A eleição, em princípio, está prevista para a segunda quinzena de setembro, mas o martelo só será batido após a reunião do Conselho no próximo dia 4, primeira terça-feira do mês, como ocorre tradicionalmente no clube.
O processo eleitoral também vai passar pelo crivo do presidente da Federação Pernambucana de Futebol, Carlos Alberto Oliveira. Como está viajando pela Europa, Carlos Alberto não participou da reunião de ontem, mas será chamado a dar sua opinião e seu apoio ao clube, inclusive financeiramente.
Embora a palavra oficial de Edinho seja não dar apoio a nenhum dos candidatos, nas entrelinhas da entrevista ficou fácil perceber quem é o seu preferido. Trata-se de Romerito Jatobá, adversário vencido por ele na eleição de 2006. Romerito é o preferido de José Neves Filho que, segundo Edinho, foi quem mais lhe deu apoio durante o mandato. Nas entrevistas, Romerito já antecipou que vai pedir um empréstimo à FBA (entidade que representa os clubes que disputam a Série B do Brasileiro) de R$ 500 mil para recomeçar a administração no Santa, caso ganhe a eleição. Como no final da tarde, o número de torcedores aglomerados nas proximidades do Departamento de Futebol aumentou, chegaram dois carros da Polícia Militar, mas até o início da noite nenhum incidente havia sido registrado. Vejam a seguir os principais trechos da entrevista:
“A CULPA É MINHA”
Edinho assumiu a culpa pelos fracassos do futebol do clube nos últimos dois anos. “Aqui o regime é presidencialista e quando as coisas dão errado a culpa é do presidente, portanto, eu sou o único culpado pela crise. Não quero olhar para trás, criticando ou apontando erros de outros, quando assumi já sabia o que iria enfrentar. Fiz o possível, mas não deu certo.”
AS DISPENSAS
O presidente tricolor informou que 11 atletas serão dispensados nesta quinta-feira junto com o técnico Bagé. Com o time não tem mais chances de classificação na Série C, vai cumprir tabela contra o Salgueiro sob o comando de Charles Muniz, preparador físico.
ISENÇÃO NAS ELEIÇÕES
O dirigente garantiu que não vai apoiar ninguém no processo eleitoral. Seis candidatos devem postular o cargo: o ex-presidente Romerito Jatobá, o jornalista Fernando Veloso, o ex-jogador Ramon, o vice-presidente executivo Fred Arruda (que está rompido com o atual presidente), o ex-diretor Alberto Lisboa e o vereador Antônio Luiz Neto, ex-presidente do Conselho Deliberativo. Romerito surge como o favorito para reassumir o poder se a eleição for confirmada para setembro, pois assim Antônio Luiz Neto não poderá concorrer.
REGIME DITATORIAL
Com ironia, Edinho respondeu aos críticos de seu mandato que sempre o taxaram de centralizador. “Não adianta ficar telefonando, dando palpite, querendo dar ordens, sem estar presente no cotidiano do clube. Comigo só manda quem trabalha e está presente.”
DÍVIDA
Além do débito de resultados com sua torcida, o Santa Cruz tem um enorme débito com os funcionários. Alguns não recebem salário há mais de um ano, o que provocou um ambiente de desleixo no clube. O gramado está mal tratado, paredes estão sujas, as lojas que compunham a fachada da sede social foram parcialmente destruídas sem que outro projeto visual fosse executado.
As dívidas do Santa Cruz com a Justiça do Trabalho e os governos estadual e municipal são administráveis, no momento. Um acordo com a Justiça retira 20% do valor arrecadado nos jogos do clube para saldar os débitos. Com o governo federal, o clube reverte o que teria direito com a Timemania para pagar as dívidas e com o governo municipal já houve um acerto.
Conheça a trajetória de Edinho no futebol
Com o anúncio de sua saída após as eleições, Edinho deve encerrar uma trajetória que começou há 40 anos no Clube das Multidões. Ele iniciou a carreira no Arruda como preparador físico sob o comando do folclórico David Ferreira, o Duque, no final dos anos 60. Participou de toda a campanha do pentacampeonato pernambucano, maior seqüência de títulos da história do clube no Estado.
Mas com a perda do hexa para o Náutico, em 1974, Edinho sofreu seu primeiro desgaste no Arruda. Seu estilo brincalhão, que antes agradava, passou a ser questionado por alguns dirigentes. Já experiente, Edinho não se fez de rogado e antes que o demitissem pediu demissão e foi para o Sport, seguindo o seu velho mestre, Duque. Juntos, descreveram um capítulo de sucesso na Ilha do Retiro, tirando o Sport de um jejum de 12 anos.
Da Ilha, Edinho deu um dos maiores saltos de sua carreira no início de 1976 quando transferiu-se com Duque para o Corinthians, que se tornaria vice-campeão brasileiro naquele ano, perdendo a final para o Internacional. Edinho ficaria no Corinthians até meados de 1977 iniciando com os conterrâneos e ex-tricolores Luciano Veloso e Givanildo a campanha que tiraria o Timão de um jejum de 23 anos em São Paulo. Só que no meio do campeonato, Duque foi demitido e ele caiu junto. O gaúcho Oswaldo Brandão substituiu Duque e foi campeão paulista.
Nos anos 80, Edinho viveu outra fase áurea no Náutico, bicampeão pernambucano em 84/85. Ao deixar os Aflitos em 1986, assumiu o comando do futsal da Votorantim, ganhando dez títulos pernambucanos consecutivos e um vice brasileiro, em 1989. Ao futebol, só voltaria em 1993 como supervisor do Santa. Mais um título estadual. E uma queda para a Série B no mesmo ano. Antes de voltar ao Arruda, em 2005, como vice-presidente de Romerito Jatobá, ele teve uma apagada passagem pelo Náutico, em 2000. Ainda em 2005, ganhou o título pernambucano e classificou o Santa para a Série B, mas em 2006, rompeu com Romerito e virou seu opositor nas eleições realizadas em dezembro. E o venceu numa das eleições mais disputadas da história do Santa, com o apoio dos cardeais, ala antiga da diretoria que dirigiu o clube nos memoráveis anos 70.
Agora, derrotado pelos fracassos do futebol nesses últimos dois anos, poderá virar novamente aliado de Romerito e Zé Neves no próximo pleito do clube, mas, discretamente, pois não poderá contrariar os cardeais, que apoiaram sua candidatura em 2006.
O sempre atuante Edinho também não parou de estudar durante o período em que era supervisor. Formou-se em Direito pela Universidade Católica e foi nomeado delegado especial nos anos 90.
Perguntado se se considera derrotado, ele não titubeou. "Não. Sou um vencedor. Estou derrotado neste momento e é preciso grandeza para reconhecer isso, mas para quem veio de baixo como eu vim estar aqui já é uma grande vitória."
Quarta, 27 de Agosto de 2008, 10:07 AM
Um mundão de tricolores estará no Arruda às 16h para ouvir o que o president Edinho tem a dizer na entrevista coletiva.
Fala-se em renúncia e antecipação das eleições, mas só quem sabe o que vai acontecer é o próprio Edinho.
Certo mesmo é que queiram ou não queiram os juízes, o mandato de Edinho ficará marcado como um dos piores momentos da história do futebol tricolor.
Estarei lá.
Segunda, 25 de Agosto de 2008, 08:25 AM
BOM EMPATE - O empate do Sport com o Fluminense chegou a ser surpreendente. Pior é que poderia ser melhor, caso o árbitro Elmo Resende não tivesse visto pênalti naquele lance de bola na mão de Sidny. O 1x1 mantém o Sport entre o dez na classificação da Série A e foi o segundo ponto consecutivo conquistado fora de casa no returno da competição. Significa que sessenta e seis vírgula seis por cento do prejuízo da derrota na Ilha para o Botafogo foram recuperados.MAU EMPATE - O Náutico teve a chance de derrubar o líder Grêmio, nos Aflitos, mas cedeu o empate por 1x1 aos 49 minutos da etapa final. Jogado numa fogueira, o goleiro David não se saiu mal. O resultado mantém o Náutico na zona perigosa da tabela.
DESASTROSO EMPATE - O Santa Cruz também empatou no Arruda com o Campinense, por 1x1, e este é um resultado desastroso, pois joga os tricolores no inferno das incertezas Em seus 94 anos de história, o Mais Querido nunca passou vexame parecido. Não há como evitar esta frase: é hora de o presidente Edinho reunir o Conselho Deliberativo, pedir desculpas pelo que não conseguiu, ou deixou de fazer, e entregar o posto. E vida que segue para os tricolores.
OLÍMPICA 1 - O Brasil foi mais ou menos em Pequim, mais menos do que mais, mas os pernambucanos devem comemorar as três medalhas que nossos representantes trazem na bagagem. O ouro de Jaqueline no vôlei feminino, a prata de Bárbara no futebol feminino e o bronze de Hernanes no futebol masculino.
OLÍMPICA 2 - Numa interessante reportagem, a Revista Veja desta semana explica o fenômeno Usain Bolt. As passadas do jamaicano medem 2,44 m contra 2,22 do segundo colocado. Ou seja, para conquistar o ouro nos 100 metros livres, Bolt deu menos passos que o adversário.
OLÍMPICA 3 - A derrota para os Estados Unidos na final olímpica de vôlei masculino não chega a ser uma surpresa para quem vinha acompanhando os confrontos entre as duas equipes. A seleção de Bernardinho havia perdido os três últimos confrontos para os norte-americanos que estão jogando um bolão.
OLÍMPICA 4 - Em termos de custo-resultado, Pequim foi um desastre para os brasileiros. As estatais investiram em patrocínios 1,2 bilhão de reais. Traduzindo em números: cada uma das 15 medalhas conquistadas custou 80 milhões de reais. Se contarmos só as medalhas de ouro, o Brasil pagou 400 milhões de reais por cada uma delas.
Sábado, 23 de Agosto de 2008, 11:32 AM
O Brasil já ganhou ouro na natação, com César Cielo, e no salto em distância, com Maurrem Maggi.
Mas o ouro conquistado neste sábado em Pequim pelas meninas do vôlei foi algo diferenciado.
Marcou uma conquista que foi trabalhada com suor e lágrimas, muitas lágrimas, nos últimos 20 anos.
E quantas frustrações a torcida brasileira não engoliu vendo as nossas derrotas para as cubanas, para as russas.
Mas, enfim, o dia chegou. E quis o destino que José Roberto Guimarães, o mesmo treinador que nos deu o primeiro ouro no vôlei masculino, também estivesse presente nesta conquista.
Abrindo mais uma porta. Abrindo, não, arrombando.
Porque esta conquista muda a trajetória da seleção brasileira no vôlei feminino, assim como a geração de Pampa, Marcelo Negrão e Tande favoreceu as gerações posteriores em confiança.
Chegou a vez de Sheila, Mari, Jaqueline, Fabiana, Waleuska, Fofão, Paula Pequeno, Sassá, Thaísa, Fabi. Mas antes delas, outras heroínas começaram a bater na porta, a forçar. Ana Moser, Ana Paula, Ana Flávia, Márcia Fu, Virna, Leila.
Assim como a geração de prata do vôlei masculino, com William, Xandó, Renan, Montanaro, entre outros.
É isso aí.
Anterior Próxima




Calendário




