Sábado, 30 de Maio de 2009, 08:44 PM
A semana tinha tudo para acabar pior do que começou para o Sport.
O técnico Nelsinho desmoralizou o grupo com uma cobrança além da conta, não mediu as palavras e, chateado, pediu demissão.
Foi acompanhado por Paulo Baier, cinco meses após ser anunciado como a grande contratação do time com um contrato de dois anos.
O Botafogo, no Rio de Janeiro, era uma fogueira e tanto para um time em turbulência.
Mas o Sport saiu-se bem melhor do que a encomenda. Levir Gomes, o técnioo interino, armou um alçapão e pegou o Botafogo no primeiro tempo, fazendo dois gols de contra-ataque, com Wilson e Weldon.
No segundo tempo, Sandro Goiano cansou, Levi demorou a mudar e quando mudou, Hamilton, também cansado, chegou atrasado num lance e recebeu o cartão vermelho - já tinha o amarelo.
O time carioca empatou o jogo. Fiou um sabor de derrota para o Sport pela vitória que escapou nos últimos 15 minutos.
Mas também ficou o sabor de vitória porque poderia ter sido pior, muito pior, não fossem os milagres de Magrão.
A QUEDA DE NELSINHO
O episódio envolvendo a saída de Nelsinho ainda não terminou e terá mais capítulos no futuro. Embora o treinador já seja uma página virada (bela página, aliás) na história do Sport, ficou claro que ele não estava insatisfeito apenas com o time.
Calejado e experiente, ele deixou nas entrelinhas que chegou ao limite ao ver que os jogadores indicados por ele não chegavam, mas chegavam jogadores indicados por empresários aos dirigentes do clube, como o zagueiro Juliano e o lateral Jonas, que apenas ocupa um espaço no elenco e nada produz.
O erro de Nelsinho foi ter agredido os jogadores com adjetivos desnecessários, pois o direito de cobrar ninguém poderia tirar dele.
A saída de Paulo Baier, para mim, foi um erro. Uma precipitação do jogador. Os torcedores são inteligentes o suficiente para saber que ele não foi o único culpado pela desclassificação da Libertadores.
Os zagueiros do Sport, Igor, César e Durval, bem que poderiam explicar melhor porque o time toma tantos gols de cabeça em bolas cruzadas sobre a área. César, por exemplo, faz tempo que comete pênaltis e lambanças, mas nem o próprio Nelsinho teve coragem para tirá-lo do time, talvez porque temesse um dos líderes do grupo ao lado de Igor e do próprio Durval. Xingar Ciro, que está começando agora, e Paulo Baier, que não fazia parte de nenhum grupinho, foi mais fácil para o treinador do que corrigir os erros da defesa e definir quem era o centroavante do time.
Formado há quatro anos, esse time do Sport dá sinais de fadiga e a diretoria bem que poderia aproveitar esse Brasileiro para oxigenar o grupo. A renovação feita com critérios poderá render bons frutos.
Segunda, 25 de Maio de 2009, 07:25 AM
O Náutico fechou a terceira rodada do Brasileiro na vice-liderança da competição, fruto de duas vitórias e um empate, quatro dos sete pontos conquistados fora de casa.
Que começo! O time fez oito gols e tomou cinco, seis tentos fora de casa. Os números estão mostrando que o Náutico não está com aquele ranço de equipe caseira.
Nas entrevistas, após os jogos, todos os jogadores estão elogiando a forma de comando do treinador Valdemar Lemos. Um sujeito que tem se revelado bastante hábil na condução de um time ainda em formação e que está sabendo mexer a contento quando o jogo exige.
Se a boa campanha do Náutico vai continuar só o tempo irá dizer, pois o futebol é feito de tantas variáveis que não dá pra fazer previsões tão longas numa competição onde ainda restam 35 rodadas. Mas que é bom ver o time alvirrubro começar assim, é.
Do Sport, há muito e pouco o que se dizer. O muito já vem sendo dito. O pouco é que o futebol é feito de ciclos e os rubro-negros atravessam agora uma maré baixa.
Acho, e é só achismo mesmo, que o time só melhora a partir da sexta rodada.
Segunda, 18 de Maio de 2009, 07:10 AM
O fim de semana foi vermelho e branco. Pintado com um golaço de Carlinhos Bala, completando o placar de 2x0 da vitória do Náutico sobre o Cruzeiro. Derlei marcou o primeiro gol. O time do diplomático Valdemar Lemos assume a terceira posição do Brasileiro, com quatro pontos, em dois jogos. Nada mal.
Depois da pífia campanha no Estadual, o Náutico não inspirava confiança. Mas esses dois jogos são animadores, pois um dos pontos foi obtido fora de casa, contra o Goiás, no empate por 3x3.
Em ambos os jogos, Carlinhos Bala deixou sua marca. O baixinho revelado no Arruda assume cada vez mais a condição de ídolo nos Aflitos. Dispensado do Sport no ano passado por ser considerado um jogador problema, ele reaparece em grande estilo. E quanto mais o time do Náutico se arruma, mais Carlinhos rende e cresce com o time.
Os rubro-negros devem estar roendo unhas ao ver Carlinhos tão bem no Náutico. A diretoria, orgulhosa, dificilmente vai reconhecer publicamente o erro, embora, nos bastidores, um leão de juba espessa, tenha me dito que lamentou muito a saída do jogador. "Nós tivemos que optar entre Carlinhos e Nelsinho Baptista e ficamos com o treinador, que tem o grupo na mão. Mas quando Carlinhos jogar contra o Sport vou ficar rezando...", confessou o dirigente.
E por falar em Sport, o time sofreu uma derrota esperada em Salvador. De ressaca após a eliminação da Copa do Brasil, poderia até ter perdido por um placar maior.
Desta vez, Nelsinho tentou tirar um coelho da cartola e acabou parindo um monstro. Um time com um ataque capenga, sem um centroavante de verdade. O lateral Jonas não rende há muito tempo. Ele poderia ter repetido o esquema que venceu o Palmeiras, mas tentou literalmente inventar. E se deu mal.
Quarta, 13 de Maio de 2009, 07:28 AM
A Ilha viveu uma noite apoteótica. Mais de 35 mil pessoas, empurrando o Sport. A vitória veio nos 90 minutos. Sofrida, suada, a fórceps. 1x0 sobre o Palmeiras. Mas havia uma pedra no meio do caminho. Marcos. O goleirão palmeirense teve competência e sorte. E quando um goleiro tem competência e sorte na mesma noite é difícil seu time perder uma decisão.
Nelsinho Baptista vinha perdendo o duelo para Vanderlei Luxemburgo, mas desta vez ele tirou um coelho da cartola. Sacou o lateral Moacir, colocou o meia Luciano Henrique. Igor virou um híbrido de zagueiro e lateral, preenchendo um espaço pouco utilizado pelo ataque rival.
E Luciano Henrique fez a diferença. Caiu pela duas laterais, driblou, criou jogadas e sofreu um pênalti que o árbitro chileno não viu. Paulo Baier, em noite infeliz, desperdiçou três oportunidades. E o Sport perdeu o volante Daniel Paulista, contundido. Sandro Goiano entrou e conseguiu manter e até melhorar o ritmo do time com sua experiência.
O gol não veio no primeiro tempo. Só saiu aos 36 do segundo, quando Luciano Henrique fez fila e cruzou para Wilson marcar. A Ilha explodiu e o Palmeiras terminou o jogo quase indo a nocaute, quando Ciro obrigou Marcos (olha ele aí de novo) e fazer excelente defesa e a bola ainda chocou-se com a trave.
Nos pênaltis, Luciano Henrique e Fumagalli bateram bisonhamente, ajudando Marcos a virar o herói alviverde. Dutra também perdeu, mas pelo menos bateu com mais força e deu mais trabalho ao goleiro.
A torcida do Sport aplaudiu o time no final, sinal de que viu seu time cair com dignidade numa decisão.
A luta continua. O Sport vai descansar e buscar novamente a vaga na Libertadores ano que vem neste Brasileiro que está começando.
Valeu a campanha, o brio e o espetáculo da torcida.
Segunda, 11 de Maio de 2009, 07:13 AM
O Náutico obteve um empate que sua torcida deve comemorar na estreia do Brasileiro. Um três a três conquistado na raça diante do Goiás no Serra Dourada, com Gilmar marcando o terceiro tento alvirrubro já no finalzinho.
Curiosamente, os carrascos do Náutico foram dois ex-alvirrubros. Felipe, que marcou dois gols, e Júlio César.
Mas viva Carlinhos Bala, autor de um gol de falta e de um ótimo passe para Asprilla marcar.
Bala que até hoje faz falta na Ilha do Retiro, embora o orgulho da diretoria rubro-negra negue-se a reconhecer.
Na Ilha, o Sport conseguiu um lamentável empate diante do Barueri. Abriu o placar, mas não soube segurar. Levou um gol quase fantasma, fruto de uma combinação de sorte (para o Barueri) com a falha do zagueiro César.
O time rubro-negro mostrou-se sonolento, apático. Se o empate foi lamentável, por um lado, por outro acabou sendo até injusto para o time paulista, que mereceu ganhar o jogo, pois desperdiçou pelo menos mais três chances de marcar.
A desculpa é que o Sport estava com a cabeça no jogo com o Palmeiras, valendo vaga nas quartas-de-final da Libertadores, nesta terça-feira. Não acredito. O Sport vem jogando mal faz tempo.
A defesa, principal setor do time, vem falhando feio. E o meio-de-campo não está acertando. A crise desagua no ataque, mal alimentado.
Paulo Baier, a quem todos criticam, é um sacrificado. Joga longe da área, volta para ajudar os volantes num time que já tem três zagueiros. Alguém precisa avisar a Nelsinho que Baier é melhor como meia-atacante, jogando próximo da área para aproveitar seu ótimo poder de finalização. Era assim que jogava no Goiás e fazia gols à vontade. No Sport sua produção é sofrível.
E amanhã não tem conversa. Ou Nelsinho tira um coelho da cartola para surpreender Luxemburgo ou vai perder em casa.
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