Segunda, 5 de Março de 2007, 06:15 AM
Por Antônio Falcão Ele foi a antítese do bom atleta: era contra treinos individuais ou coletivos e abstinência – sobretudo de sexo, álcool, fumo, noitada e viola (que tocava). Até o seu nome fugia do convencional: Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira. Estudou medicina enquanto jogava, expôs-se em política e viu o binômio cartola-jogador da ótica das relações de trabalho. Deu-se à cidadania com afinco, sendo intransigentemente solidário com os colegas de profissão.
Para empregar o termo típico da inútil e néscia ditadura militar brasileira, Sócrates era subversivo. Todavia, do ponto de vista estritamente democrático, um cordial e saudável subversivo – utilíssimo à humanidade.
Foto: divulgação
Por acaso, ele nasceu em Belém do Pará a 19 de fevereiro de 1954 e se criou na paulista cidade de Ribeirão Preto, onde aos 16 anos atuava no Botafogo Futebol Clube local. Aos 18, já matriculado na escola de medicina, Sócrates soube conciliar o curso escolhido com a vida de craque. Desde aí, atraídos pela soberba bola desse meia-armador e atacante essencialmente técnico, vários times brasileiros o queriam. Muita gente mais velha passou a ver nele a reedição de Ipojucan, o excepcional vascaíno de, também, 1,91 m de altura, muito clássico, que usava com propriedade o calcanhar e fazia lançamentos incríveis. Porém, Sócrates, que nunca viu Ipojucan, ouvia essas comparações agradecido. Por esse tempo, ele decidiu só sair do Botinha (apelido carinhoso do Botafogo de Ribeirão Preto) quando concluísse o curso universitário.
Sócrates na seleção brasileira em 1982
E em 76, já profissional no futebol, o acadêmico foi artilheiro principal do campeonato paulista com 15 gols. Dois anos adiante, como prometera, Sócrates permitiu que seu passe fosse negociado com o Sport Club Corinthians Paulista. E na ocasião já era médico.
De cara, sem rodeios, assim que chegou ao clube da capital ele se disse adversário da concentração: “Se cada jogador cuidar da própria resistência, será mais responsável”. Os conservadores de todos os matizes puseram a barba de molho – embora que o barbudo fosse ele, Sócrates. E cabeludo também. Depois, tranqüilo, falou que fumava, bebia e gostava de violão.
Contudo, o que os fanáticos torcedores corintianos tiveram dificuldade de engolir foi quando ele revelou que o seu coração era santista. Mas tudo isso seria fichinha se comparado ao que o apelidado Magrão fez jogando e na ante-sala dos costumes do Corinthians. Em 1979, Sócrates venceu o certame estadual e, inspirada nele, instalou-se a democracia corintiana – conjunto de ações que fez, por exemplo, o voto do atleta reserva ser igual ao do diretor de futebol e as decisões só valiam se expressassem a vontade da maioria. Hoje, com o regime democrático de volta ao Brasil, isso é normal, faz parte do cotidiano. Mas na época do execrável regime militar...
Nesse mesmo 79, Sócrates estreou na seleção brasileira em 15 de maio. Ele disputara a Copa América (também em 83) e o Mundialito, ficando no time titular até o Mundial na Espanha, em 1982, quando formou com Zico, Falcão e Cerezzo o quadrado mágico que encantara o planeta, apesar de o Brasil ter sido vencido. De volta ao clube alvinegro, o Doutor – nome que lhe fora dado em função do título universitário e pelo fato de saber tudo de bola – fez a equipe conquistar o campeonato estadual. E bisaria esse troféu no ano seguinte, levando a massa corintiana ao delírio.
Por vê-lo fazer jogadas magistrais com o calcanhar, o Magrão recebeu de Pelé um comentário no mínimo curioso: “Ele joga melhor de costas do que de frente”. A essa altura, o Doutor era procurado por emissários europeus querendo levá-lo, todos a verem nele um craque artístico que, efetivamente, aplicava a inteligência. Todavia, Sócrates – com 302 jogos e 166 gols pelo Corinthians – teimava em ficar no Brasil.
Mas a emenda do deputado Dante de Oliveira – que restituía ao País o direito de realizar eleições diretas em todos os níveis, inclusive para a Presidência da República – não vingou no Congresso Nacional e, frustrado, o Magrão foi para a Fiorentina, em 84. Na Itália, teve vários motivos para não se adaptar – um deles, além do frio, o excesso de treinamento físico, já que era avesso a essa prática. Ainda ficou em Florença até 1986, aproveitando o tempo para se aprimorar em matéria de arte e história natural.
Na primeira volta ao Brasil, ele foi para a campineira Ponte Preta. Contudo, em Campinas se deu conta que a promessa que lhe fora feita era fria e que, sequer, a soma das luvas lhe fora paga. Resultado: Sócrates retornou a Firenze. E a seguir, felizmente, seria adquirido por empréstimo pelo Flamengo e se fixou no Rio de Janeiro.
Uma das coisas que o animara a desembarcar na Gávea era a possibilidade de fazer dupla com Zico – o seu ídolo e companheiro de escrete. E que com o Doutor perdera a Copa do Mundo naquele mesmo 1986 – ano em que ambos encerrariam a estada no time nacional do Brasil. Sendo que Sócrates, ao contrário do Galinho, só fizera 65 partidas e apenas 25 tentos pela seleção.
Para tristeza dele e de Zico, no rubro-negro só atuariam uma vez. Durante mais de um ano, quando o Doutor tinha condições de jogo, o Galo estava contundido; quando Zico podia, ele era entregue ao departamento médico. Isso, porém, não impediu Sócrates de receber a faixa de campeão carioca de 1986. No ano seguinte, por divergência financeira, o Magrão saiu do Flamengo. E quis abandonar o futebol, indo para o interior de São Paulo jogar em pelada e exercer medicina.
Entretanto, sem que esperasse, chega-lhe um convite do Santos Futebol Clube para que vista a camisa branca, a mesma que serviu de manto ao Rei Pelé e a outros craques santistas. Sócrates, sem muita elucubração – esquecido de que as pernas sentiam o peso inexorável dos 34 anos de boemia e quase nenhum preparo físico –, foi para a Vila Belmiro.
Para quem sabia cadenciar um jogo como ele, não foi difícil fazer aquele campeonato estadual paulista de 1988 pelo Peixe. No entanto, também não se adaptava mais às viagens constantes, que o fazia se ausentar de casa, onde os filhos cresciam. E parou outra vez.
De volta à sua Ribeirão Preto para ser tão-somente médico, o Magrão não resistiu e ainda disputaria umas partidas do campeonato de 1989 pelo Botafogo local, o mesmo Botinha que lhe revelou. E, depois de se despedir das chuteiras, efetivamente foi exercer a profissão exclusiva de médico. No entanto, quando se entendia conformado sem futebol e curtindo os últimos anos de ídolo do seu mano Raí – que brilhou no São Paulo, Paris Saint-Germain e na seleção brasileira –, eis que teve uma recaída e assumiu, a pedido do ex-lateral-direito Leandro, o comando técnico da Associação Atlética Cabo-friense, no interior do estado do Rio. Seu êxito foi levar o clube à primeira divisão do certame carioca. Contudo, em Cabo Frio, o Doutor Sócrates se deu por satisfeito com isso e voltou a Ribeirão Preto para – enfim – ser só médico.
No plano das idéias políticas, ele se manteve de esquerda e militante, sem estardalhaço, no Partido dos Trabalhadores, o PT, organização que elegeu Luiz Inácio Lula da Silva presidente da República, em 2002. Entretanto, esse antigo artista do futebol brasileiro nunca fez questão de ser político. No fundo, esse politizado e pacato habitante de Ribeirão Preto é igual a esta frase de uma revista: “Sócrates jamais se esforçou para ser um craque. Ele simplesmente era”.
Domingo, 4 de Março de 2007, 06:08 PM
O alvirrubro não perdeu a viagem aos Aflitos neste domingo para ver seu time enfrentar o Ypiranga, algoz na primeira rodada do Campeonato Pernambucano. Queria ver Beto Acosta em campo e viu até o primeiro gol do uruguaio com a camisa vermelha e branca. Queria ver gols de Kuki e viu. Queria gols de Felipe e também viu. Até o zagueiro Índio, que não está acostumado, marcou o seu.Assim, o Náutico estreou no segundo turno. Com uma goleada por 6x0 em cima do clube agrestino.
O placar dilatado demonstra bem a reação do Náutico que se coloca como o principal adversário do Sport neste segundo turno.
O Sport que, com dificuldade e uma boa atuação do goleiro Magrão, conseguiu superar a Cabense por 3x1, no Gileno de Carli. Vitória suada, pois o time de Gallo levou um sufoco no segundo tempo.
Um gol de Bia em chute de fora da área e outro de Ticão, aproveitando falha do goleiro Davi, deram alívio ao Leão. Carlinhos Bala marcou o primeiro gol do Sport.
Na próxima rodada, o Náutico pega um aparente osso duro. O Vera Cruz, que não fez boa campanha no primeiro turno, surpreendeu o Porto em Caruaru, goleando-o por 4x0.
Já os rubro-negros enfrentam o Ypiranga, na Ilha. Mas no domingo têm outro jogo duro. Será contra o Central, em Caruaru.
SÃO PAULO - Edmundo deu um show em cima do Corinthians, de Leão. Palmeiras 3x0 com dois gols do Animal. O treinador corintiano está cada vez mais enforcado no Timão. Também é preciso ter muita coragem para mandar contratar Tamandaré.
RIO DE JANEIRO - O Flamengo levou outra pancada do Madureira, cada vez mais zebra e favorito ao título da Taça Guanabara. Venceu por 1x0 e só precisa de um empate na segunda partida. Valdir Papel está cada vez mais valorizado na bolsa fluminense dos boleiros.
BOCA, VELHO FREGUÊS - Meu amigo e vizinho, Horacio Cometti, já está acostumado. Seu Boca Juniors já freguês do San Lorenzo. Levou de 3x0 pelo Torneio Clausura, em plena La Banbonera.
Quarta, 28 de Fevereiro de 2007, 10:53 PM
O Arquibancada ainda é um bebê de 35 dias, mas já tem algo a comemorar. Recebi relatório da HM9, que hospeda este blog e as estatísticas indicam que estamos chegando perto das 300 visitas diárias.Há brasileiros acessando o blog da Argentina, do Chile, da Venezuela, da Austrália, do Japão, da Ucrânia, da Tailândia, dos Estados Unidos, do México, de Portugal, da Suíça, da Suécia, da França. Quinze por cento dos nossos leitores estão fora do País.
Isso também se deve à força do pernambuco.com, nosso parceiro desde o início de fevereiro.
Agradeço a todos pela participação e também aos amigos que estão colaborando com o blog.
Sábado, 24 de Fevereiro de 2007, 07:16 AM
Em pé: Betão, Estevão, Flávio, Rogério e Zé Carlos Macaé;
Agachados: Robertinho, Ribamar, Nando, Zico e Neco. (foto: arquivo do Sport)
Por Giba Carvalheira /colaborador
O dia 7/2/1988 ficará marcado eternamente na vida da heróica trajetória do Sport Club do Recife, data em que conquistou o seu maior título, o de campeão brasileiro de futebol. Apesar de a partida ter sido realizado em 88, o título foi referente ao campeonato de 87.
Os campeonatos brasileiros daquela época estavam longe da organização dos dias atuais. Cada ano, o número de participantes era alterado ao sabor das conveniências políticas da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), com modelos e fórmulas diferentes. Diante da bagunça generalizada da competição nasce o Clube dos 13.
Esta instituição proclamou-se como a união dos 13 maiores clubes do País, sem nenhum critério de ranking pré-estabelecido, apenas os 12 maiores clubes do eixo Rio-São Paulo-Rio Grande do Sul-Minas, somando-se a eles o Bahia, que tinha grande influência de seu então presidente Paulo Maracajá. A entidade teve como primeiro dirigente máximo o presidente do São Paulo - último campeão de 86 – Carlos Miguel Aidar.
O objetivo desses clubes era criar uma liga, com alguns convidados, monopolizando para si toda a mídia nacional e toda a receita de patrocinadores de peso como a multinacional Coca-Cola.
Os então presidentes e vice da CBF, Otávio Pinto Guimarães e Nabi Abi Chedid, respectivamente, foram pressionados de todas as formas para que o campeonato fosse disputado de acordo com o regulamento estabelecido pelo Clube dos 13, deixando de fora times que tinham direitos legítimos adquiridos, como o Guarani, vice-campeão brasileiro, Bangu, Criciúma, Atlético Paranaense, Vitória, Náutico e o próprio Sport, que tinha se classificado entre os oito finalistas no ano anterior.
Vale lembrar que, no ano anterior, o Vasco havia sido rebaixado para a Segunda Divisão.
Tentando “apaziguar” o ânimo de todos, Nabi Abi Chedid confeccionou uma tabela que dividia a Primeira e a Segunda divisões em quatro módulos, o verde, o amarelo, o azul e o branco. Os dois primeiros, considerados Primeira Divisão; e os dois últimos, Segunda Divisão. Ao final, os módulos verde e amarelo decidiriam o título brasileiro, num quadrangular com os seus respectivos campeões e vices.
O módulo teve como participantes os integrantes do Clube dos 13, mais o Santa Cruz - que contou com grande apoio político de Marco Maciel, então ministro da Educação no governo José Sarney - o Coritiba e o Goiás.
Os demais ficariam no módulo amarelo: times como o Sport, Bangu, Vitória, Atlético-PR, Criciúma, Portuguesa, e também o atual vice-brasileiro Guarani e o campeão paulista Inter de Limeira. Eram dois módulos fortes: a diferença era que o módulo verde teve o patrocínio milionário da Coca-Cola e do Açúcar União – daí o nome de Copa União – mais a verba de televisionamento da TV Globo.
O Sport ganhou o módulo amarelo numa polêmica disputa por pênaltis - polêmica essa que não acabou, acreditem, mas essa é outra história - e o Guarani ficou como vice. O Flamengo ganhou o módulo verde, e o vice foi o Internacional. Pelo fato de o Sport e o Guarani terem rompido com a Coca-Cola por não aceitarem o patrocínio em suas camisas, pois não viam a cor do dinheiro - a multinacional chegou a tentar colocar a logomarca dela no círculo central do campo - procedimento negado por ferir as leis da Fifa -
o então presidente do Flamengo Márcio Braga, e Carlos Miguel Aidar, temendo perder a verba da Coca-Cola, resolveram boicotar o regulamento.
Assim, Flamengo e Internacional não foram a campo, como previa anteriormente o regulamento, para o cruzamento dos módulos.
A CBF manteve a data dos cruzamentos, e Flamengo e Inter perderam a partida, por WO, por se negarem a disputar. Então o Sport e o Guarani decidiram o Campeonato Brasileiro de 87, em duas partidas. A primeira, em Campinas, tendo como resultado 1x1, e a segunda, na Ilha, com o placar de 1x0 para os Leões, gol do quarto-zagueiro Marco Antônio. O Sport se sagrou Campeão Brasileiro de 87, título homologado pela CBF e pela própria Fifa disputando, inclusive, a Taça Libertadores da América.
Essa conturbada decisão nos mostrou o quanto o futebol brasileiro estava desorganizado na época.
Vale lembrar que, em 92, o Grêmio caiu para a Segunda Divisão e, numa virada de mesa, fizeram uma mesma fórmula de cruzamento para o campeonato do ano seguinte. Desta vez a Primeira e Segunda divisões, e o Vitória, que vinha da segunda, foi às finais com o Palmeiras. Ninguém contesta o vice campeonato do Vitória em 93, mas todos contestam o do Sport.
Depois em mais uma virada de mesa veio a Copa João Havelange em 2000, onde, numa situação “espírita”, o Fluminense subiu da Terceira para a Primeira Divisão e o Náutico da Terceira para a Segunda. Parece que as coisas começaram a se normalizar com a competição por pontos corridos, pois, agora, times como Palmeiras, Botafogo, Grêmio e Atlético Mineiro caíram nas últimas quatro edições do Brasileiro e tiveram que jogar bola para subir.
Sábado, 24 de Fevereiro de 2007, 01:22 AM
O blog ficou fora do ar às 15 de ontem e só voltou por volta das 23 horas. Mais uma vez, o problema foi causado na manutenção do servidor. Pedimos desculpas pela falha. Às 11h deste sábado, o blog arquibancada voltará a ser atualizado.Anterior Próxima




Calendário




