Quarta, 30 de Junho de 2010, 10:57 AM
A seleção brasileira sobrou em gols contra o Chile, mas em futebol, não. Claro que os gols importam mais porque decidem o jogo, diria o Conselheiro Acácio, mas, ao mesmo tempo, vemos o Brasil sem a essência do futebol brasileiro. A seleção de Dunga mostra o futebol-arte a conta gotas, mas ainda assim podemos dizer que é favorita ao título mundial. Sua próxima rival, a Holanda, também joga do mesmo jeito. A Laranja Mecânica que encantou o mundo com Cruyff, Neskens, Krol e Resembrink, em 1974, entra em campo dentro de uma armadura. O futebol hábil e agressivo também vem aos pingos nos pés de Robben e Elia, que costuma entrar no segundo tempo.
Para o jogo desta sexta-feira, não fico em cima do muro. Acho que vai dar Brasil. Não porque nosso ataque vai arrebentar a defesa holandesa, mas porque a nossa defesa é hoje a melhor do mundo e só um desses acidentes do futebol poderá parar o Brasil até a final da Copa.
Apesar das perdas de Elano e Felipe Melo, contundidos, o Brasil de Dunga tem levado mais sorte do que os seus grandes concorrentes nesta Copa. Do outro lado da tabela, a Argentina e a Alemanha vão se enfrentar numa quarta-de-final que, na verdade, é uma final antecipada, com todo o desgaste físico e mental de uma decisão.
O vencedor vai comemorar muito, mas sairá extenuado para enfrentar a Espanha. A lépida e fagueira Espanha que começou mal, perdendo para a Suíça e vem fazendo um jogo melhor que o outro. Vai enfrentar o Paraguai nesta fase e dificilmente deixará escapar a vaga na semifinal.
Antes da Copa, muitos previram o duelo entre brasileiros, campeões sul-americanos, e espanhóis, campeões europeus, na final da África do Sul. Acho que esse confronto está, realmente, prestes a acontecer.
Curiosamente, são os dois estilos que predominam atualmente no futebol mundial. A escola espanhola, que preza pelo futebol mais vistoso, de toque de bola e aproximação da área implantada por Guardiola no Barcelona. E o estilo fechado implantado por José Mourinho no Inter de Milão, vitorioso no futebol europeu. Um time que se fecha e, com a bola, parte rápido em contra-ataques.
Domingo, 27 de Junho de 2010, 11:29 PM
As oitavas de final da Copa do Mundo começaram na África do Sul e com elas as injustiças cometidas pelos deuses da bola e pelos juízes.
Confesso que antes do primeiro jogo desta fase, entre Uruguai e Coréia do Sul, eu torcia pela Celeste, mas durante a partida “virei a casaca”. Passei a torcer pelos asiáticos, que mostraram um melhor toque de bola do que os rivais.
A Coréia mandou no jogo. Jogou com mais raça do que a própria mística da Celeste, mas perdeu. Perdeu porque não tinha um centroavante como Soares, autor dos dois gols da partida.
Do mesmo mal padeceu os Estados Unidos horas depois ao sofrer a eliminação diante de Gana. Gyan resolveu a partida.
Neste domingo, a Alemanha, diante da Inglaterra, tinha as duas coisas: futebol coletivo, alegre, bonito e um centroavante. Por isso, sobrou diante da Inglaterra. Quatro a um com Miroslav Klose abrindo o placar.
Absurdamente, o assistente não viu a bola entrar no chute de Lampard, que encobriu o goleiro e ultrapassou a linha de gol em quase meio metro. Mas mesmo que tivesse empatado, a Inglaterra perderia, porque a Alemanha mostrou uma superioridade avassaladora.
Desta partida, destaco o meia Ozil. Canhoto bom de bola, já havia marcado um golaço diante de Gana e neste domingo foi o regente da Alemanha com passes precisos para os gols de Muller.
Mas o que também ajudou a desequilibrar o jogo foi a falta de um homem de área no esquadrão inglês. Pena que Roney não foi à Copa...(?) Se tivesse ido seria diferente.
À tarde, esperava um jogo equilibrado entre México e Argentina, claro que acreditando que a equipe platina tinha 70% de chances de passar.
Mas o árbitro e o assistente acabaram tornando as coisas mais fáceis para os meninos de Maradona ao validar o gol em impedimento de Tevez. O erro enervou os mexicanos e levou a outro erro, o “passe” de Osório para Iguain fazer dois a zero.
Nesta segunda temos Brasil x Chile e Holanda x Eslováquia. Os dois primeiros são favoritos.
Terça, 22 de Junho de 2010, 11:09 AM
Matéria publicada no site do UOl esclarece finalmente o motivo da grosseria de Dunga com o afável Alex Escobar, um dos repórteres da Rede Globo envolvidos na cobertura do evento.Ao ler editorial sobre os palavrões de Dunga contra seu colega de emissora, domingo, no Fantástico, o simpático Tadeu Schimidt contou apenas uma parte da história: a grosseria "gratuita" de Dunga.
Não revelou que a emissora tentou passar por cima da autoridade do treinador ao "acertar" nos bastidores com o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, entrevistas exclusivas com três jogadores da seleção.
Dunga soube e vetou a manobra, o que seria um privilégio apenas da Globo em detrimento de outras emissoras e agências de notícias que cobrem a seleção.
Já cobri jogos do Brasil aqui no Recife e sei bem os privilégios que Globo ostentava em outras épocas, principalmente nas Eras Zagallo e Parreira.
Que o comportamento do treinador contra o repórter é reprovável não há dúvida, mas que a Globo errou feito em não contar a história completa também não há a mínima dúvida.
E ao obrigar Tadeu Schimidt a ler o tal editorial acabou provocando um desgaste na imagem do profissional, que chegou a superar Galvão Bueno em mensagens negativas no twiter, o que é uma façanha e tanto, talvez mais do que o Brasil ganhar uma Copa do Mundo.
Terça, 15 de Junho de 2010, 10:27 PM
O Brasil jogou a 40 km por hora sob um frio de dois graus e numa altitude de aproximadamente 1.700 metros. Kaká e Luís Fabiano voltando de contusões. Tudo bem, o adversário não era a Alemanha, mas a Coréia do Norte, país que visitou a Copa do Mundo pela última vez há 44 anos. 105° no ranking da Fifa.A Pátria de Chuteiras esperava ver Robinho entrar driblando na área dos asiáticos. Queria ver Kaká sapateando no meio-de-campo e Júlio César estendendo uma rede, daquelas que a gente compra lá em Tacaratu, no sertão pernambucano, embaixo dos três paus, para dormir. Parte da mídia usa a seleção para atrair anunciantes, vender seus espaços e, para isso, precisa criar a ilusão de que a seleção brasileira é imbatível.
A patuleia, naturalmente, engole a corda e para diante da tevê esperando ver sempre o final feliz. Tem até suas razões, pois o Brasil ganhou quase um terço de todas as Copas disputadas.
Mas nem sempre a história é assim, principalmente numa estreia. Nesta terça-feira, a seleção sofreu. Como historicamente sofre diante de seleções tecnicamente inferiores que jogam com oito ou dez atletas atrás da linha da bola. Lembram do empate com a Venezuela pelas Eliminatórias? Ou do empate com o Equador também na fase de classificação para o Mundial?
O fraco futebol da seleção no início tem suas explicações: geralmente, as seleções brasileiras fazem um trabalho de preparação para atingir o pique nas semifinais e final da competição. É basicamente a estratégia que as grandes equipes usam. A vantagem é que a cada partida o time cresce um pouquinho. Mas também há um risco: cair num grupo em que os adversários já chegam embalados.
Pelo que vi na primeira rodada do grupo em que o Brasil está incluído, Portugal e Costa do Marfim estão num estágio de condicionamento físico melhor do que o Brasil, e isto é preocupante, mas pode ser superado com a melhor técnica dos jogadores brasileiros e um pouco mais de esforço.
Os africanos, aliás, são useiros e vezeiros em chegar à Copa voando baixo para ir caindo com o decorrer dos jogos. Os nigerianos deram um bom exemplo no sábado, contra a Argentina. Obrigaram os hermanos a correr uma barbaridade, tanto que no segundo tempo as duas equipes estavam andando no gramado e o meio do campo exibia um espaço vazio poucas vezes visto num jogo de Copa do Mundo.
Mas, apesar dessas justificativas, é preciso dizer que a seleção brasileira realmente não jogou no nível esperado, principalmente no primeiro tempo. Para usar uma escala, disse lá em cima que o Brasil atuou a 40 km/h. Em condições normais, a seleção brasileira joga a 60 km/h nas suas estréias em competições, mais ou menos como atuou nos primeiros 20 minutos do segundo tempo.
Os casos de Kaká e Luís Fabiano, naturalmente, chamam a atenção pelo rendimento bem abaixo do esperado. Acredito que Dunga os escalou porque deseja que eles ganhem ritmo, e isso só acontece com os atletas em campo, como diria o Conselheiro Acácio.
Segunda, 14 de Junho de 2010, 02:28 PM
A prioridade de Dunga nesta Copa não é o título de campeão do mundo.Ele quer, insistentemente, o troféu de personagem mais chato do Mundial.
E, neste aspecto, é até agora o favorito disparado.
Uma pena, pois Dunga esconde o que tem de melhor, a seriedade no trabalho, para evidenciar o que tem de pior.
E ninguém consegue explicar a ele que zelo é uma coisa, esquizofrenia é outra.
As críticas da imprensa ao seu trabalho são injustas e até exageradas, como já falei aqui, mas a reação dele, como treinador da seleção brasileira, é pequena e fere não apenas sua relação com a imprensa, que deveria ser respeitosa e profissional, mas também sua relação com a torcida brasileira, o que é mais grave.
Joguinhos insossos, poucos gols.
A Copa do Mundo ainda não empolgou.
Exceção: a Alemanha goleou a Austrália.
Os germânicos trazem, desta vez, ao Mundial uma equipe mais leve.
Os camaroneses apanharam dos nipônicos na manhã desta segunda-feira.
No sábado e no domingo, os goleiros inglês e argeliano nos presentearam com dois perus.
Futebol-arte. Apenas Messi em alguns lances contra a Nigéria. A Argentina merecia vencer de mais, porém, o goleiro nigeriano impediu.
Vamos aguardar os próximos dias.
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