Quarta, 1 de Setembro de 2010, 10:05 PM
Peço licença aos amigos Inácio e Samarone, do Blog do Santinha, para escrever sobre um tricolor que conheço há uns bons anos. O nome do personagem é Sassá Mutema, dono de uma barraca no terminal da Vila Cardeal e Silva, em Areias. O ponto do crioulo agrega tricolores, rubro-negros e alvirrubros todos os fins de semana, já que de segunda à quinta ele tem outras ocupações - uma delas é jogar dominó apostando lá pela Vila São Miguel, em Afogados, onde mora e reina no pedaço.
A barraca tem cerca de 12 metros quadrados, apenas duas mesas e umas oito cadeiras. O tira-gosto é uma cabidela com feijão verde que aparece de vez em quando ou então saúna frita. Às vezes, a gente reclama, passa um tempo sumido, mas depois reaparece. Afinal, como a barraca fica praticamente a semana inteira fechada, a cerveja é geladíssima. O pior é ter que competir com Babinha, o professor de Química Alvimar, com seus quase dois metros. Quando o prato chega, ele diz que só vai pegar uma gordurinha, mas ficamos na saudade.
Sassá surgiu na Cardeal no final dos anos 80. Assumiu a barraca que já pertencia a um sujeito chamado Guedes e foi conquistando a praça. Primeiro, começou a namorar com Leda, que trabalhava na casa do alvirrubro Renato. Depois de oito anos enrolando a moça, casou e desde então promete que vai fazer um menino para que eu seja o padrinho. Antecipadamente, já me chama de "meu cumpade Zé Cabral".
É apaixonado pelo Santinha, mas não vai aos jogos. Prefere a resenha que antecede os clássicos, quando aproveita para provocar os torcedores rivais e ganhar apostas. Nessa barulhenta harmonia, o dominó rola solto com seu Antônio (Pedrinho de peru, "essa, a gente ganha, Tonho!", diz ele, toda vez que seu Antônio pega um rancho), Fernando Rocha, Júnior Grandão e Batata, entre outros que surgem para perder do crioulo.
Vez por outra, entro na parada, mas geralmente levo a pior. Já desconfiei que o negão marcava as pedras e acionei o meu amigo da PF, Fernando Rocha. Fomos ao bar do Cabo, em Brasília Teimosa, e armamos o plano, enquanto devorávamos um arroz-de-polvo. Levar um dominó novinho só para pegar o negão de surpresa no sábado. No dia planejado, chegamos cedo e, quando Sassá armou a mesa, Fernando mostrou o dominó zerinho. "Tão pensando que vão me encabular?", retrucou. Fomos para o jogo e o plano falhou. Fazer o quê?
O único que consegue derrubar o negão algumas vezes é seu Antônio, o pai de Elton e Rômulo, chamado de Tõe pelo crioulo. Mas, aqui pra nós, eu acho que ele tem medo de perder a mordomia na casa do aposentado. Afinal, na sexta-feira, quando vem de ressaca, deixa o ponto fechado. Só recebe a cerveja para revender no sábado e no domingo. Amanhece na porta de seu Antônio, pede doce e depois água. E dona Norma acaba servindo.
Sassá anda ameaçando fechar o ponto, porque diz que o fiado vem aumentando. Seguindo o espírito do blog Arquibancada, faço um apelo aos devedores, usando o velho jargão do crioulo quando quer fazer a cobrança: "Vamos se alimpar!!!"
PS. Estou repetindo texto publicado em 2007 porque Sassá me avisou que fiado voltou a crescer. E com ele estou encerrando o blog, temporariamente, até que volte a ter tempo para alimentá-lo.
Agradecimentos: Bosco (webdesigner), Hugo Martins (craque em informática sempre solícito para manter o blog em ordem), Marcus Andrey (pelo incentivo e apoio técnico), Adriana Reis (editora do Pernambuco.com por ter nos apoiado), Rômulo Duarte, Giba Carvalheira, Horácio Cometti e Lenivaldo Aragão pelas participações especiais com seus ótimos textos), Inácio França e Samarone Lima, que me ajudaram a divulgar o Arquibancada no ótimo Blog do Santinha. E aos leitores que chegaram a mais de 2.000 por dia, quando eu tinha mais tempo para manter o blog em ordem. Pessoas que não conheço pessoalmente, mas que enviaram mensagens carinhosas. Enfim, a todos o meu muito obrigado.
Segunda, 30 de Agosto de 2010, 07:44 PM
A missa de Sétimo Dia em Memória de Souza Pepeu será nesta terça-feira (31 de agosto), às 17h30, em Caruaru (Capela São Sebastião). Tinha um sorriso de menino, desses que sempre estão dispostos a entrar nas brincadeiras. Trabalhando era concentrado, atento. Lembro de uma cobertura de um jogo Central x Santa Cruz que fizemos no então Estádio Pedro Victor de Albuquerque (agora Lacerdão), em Caruaru.
Início dos anos 90. Era eu, então, um repórter em início de estrada. E ele, experiente, dirigia a sucursal do JC, numa das salas do prédio da Rádio Difusora, onde agora funciona um shopping center.
No Central, surgia uma jovem promessa, Jaílson. Jogador alto, cabeleira que lembrava Nunes, ex-ídolo do Santa Cruz. A CBF mandou o olheiro da seleção brasileira juvenil, Antoninho, observar a promessa. Cheguei cedo à sucursal, por volta das 14h, e já encontrei Pepeu. O jogo seria às 17h. Radinho de pilha, fones no ouvido, foi logo me avisando:
- Zé, Antoninho veio ver Jaílson. Fiquei sabendo que ele esbaldou-se numa feijoada lá em Hélio Mota. Pelo jeito, vai dormir nas cadeiras. Avisa ao fotógrafo pra fazer uma foto.
E foi o que eu fiz. Lá pelas tantas, Antoninho estava “ensestado” numa das cadeiras. Nem aí para o barulho da torcida, para o jogo. No dia seguinte, o flagrante de Fernando Silva estava nas páginas do caderno esportivo.
Foram várias coberturas em Caruaru, sempre com Pepeu. Depois do jogo, um chope pra distrair naquele agradável clima. Certa vez, fui acompanhado do editor de Esportes, Sílvio Oliveira. E aí apareceu Celso Rodrigues (outro craque que a terra deu ao jornalismo).
Encontro marcado para depois do jogo.
Quando saímos de Caruaru o jornal já estava nas bancas - E isso porque Lenivaldo não foi...
Pepeu falava do trabalho e contava histórias. De política, de futebol, de jornalismo, suas paixões, após a família. Dizia que um bom tema e uma boa reportagem o deixavam com água na boca.
Este ano, em janeiro, fui ver um Sport x Central de novo. Agora como torcedor. Cheguei cedo e fiquei ali, nas cadeiras. Sabia que ele iria aparecer. Perto do início do jogo, chega Pepeu com seu radinho de pilha.
- Cadê o menino, Pepeu?
- Menino?! Que nada. Já é um homem, rapaz. Procurador no Estado de Alagoas, respondeu orgulhoso, falando do filho Sérgio.
- Daqui a pouco ele liga pra saber quanto está o jogo, completou.
Há pouco mais de quatro meses, ele veio ao Recife e almoçamos, junto com Roberto Tavares, seu ex-companheiro na Globo e no JC.
E quem não gostava do privilégio de conversar com Souza Pepeu? Observador atento do cotidiano. Do mundo e de Caruaru. No Pra Vocês, estava animadíssimo com a repercussão da Caruaru Hoje, revista que criou dirigida ao público da Capital do Agreste.
Na semana passada, Pepeu se foi, dormindo. Passou de um plano a outro sem aqueles traumas de hospital, sem aquele sofrimento que só os escolhidos por uma força superior têm direito. Era burocracia de mais para quem viveu tão leve.
Não pude ir ao velório, na Câmara de Caruaru, mas me despedi dele poucas horas antes da cremação no Morada da Paz.
Pepeu carregava o DNA de Caruaru nas palavras, no gestos, sem ser provinciano. Tinha uma visão abrangente da política. Era conectado ao mundo. Basta ver seu projeto, como vereador, que transformou a Serra dos Cavalos em reserva ambiental. Seu sentimento como político era maior, talvez daí a dificuldade de encontrar espaço na política caruaruense, ainda dominada por clãs.
Sem a sua figura a paisagem humana de Caruaru perde um pouco de brilho.
À família e aos amigos de Pepeu, o meu abraço.
PS. Como já avisei no texto anterior, estou me despedindo deste blog. Os afazeres aumentaram e prefiro poupar os poucos leitores que acessam o Arquibancada de acessá-lo e não vê-lo atualizado. Na próxima segunda, ele sai do ar.
Terça, 17 de Agosto de 2010, 11:40 PM
Marcelinho Paraíba encantou a Ilha do Retiro em sua primeira partida no Recife com a camisa do Sport.
Cerca de 15 mil torcedores pagaram ingresso e acho que pagariam o dobro do valor se soubessem o que iriam ver nos primeiros 45 minutos.
O menino de Campina Grande, filho de seu Pedro Cangula, mostrou que é diferente.
Nos passes e nos dribles. Joga em câmera lenta, mas dificilmente os adversários conseguem ser mais rápidos.
No primeiro gol, inventou um escanteio rasteiro, surpreendendo a defesa do São Caetano. A bola cruzou toda a área e Ciro, artilheiro, aproveitou.
No segundo gol, bateu uma falta com perfeição. E nós só estávamos com pouco mais de 15 minutos de jogo.
Mais um pouquinho, e lá estava ele, de novo, cruzando a bola na cabeça de Dairo: 3x0.
A torcida do Sport suspirava, em êxtase, mas Marcelinho queria bola e, num novo escanteio, descobriu Germano com um passe preciso à frente da área. Bola na trave.
No segundo tempo, ele ficou por ali, naquele "cerca Lourenço" até que, nos minutos finais, achou Ciro de novo, livre, e o artilheiro marcou o quarto gol. Àquela altura, o São Caetano já havia marcado seu ponto de honra, de pênalti.
Mas a torcida do Sport não queria nem saber. Comemorava feliz a estreia do craque, cheia de esperança em dias melhores na Segundona do Brasileiro.
Pelo futebol que Marcelinho jogou nesta terça-feira dá para ter esperança.
Mas o time ainda tem que evoluir muito.
PS. Após três anos, estou começando a me despedir do blog. Compromissos profissionais e a volta à faculdade estão tomando muito meu tempo.
Terça, 10 de Agosto de 2010, 07:29 AM
Cerezzo é bom camarada, ninguém pode negar. Mas para treinar o Sport neste momento é preciso bem mais do que isso.
A decisão da diretoria de demiti-lo foi acertada.
Geninho chega mais ambientado à Segundona e ao Sport. Tem condições de fazer um melhor trabalho.
Não sei se ele vai fazer o time subir de divisão. A esta altura, o negócio já complicou muito.
Mas, com ele, tenho certeza de que o Sport não cai.
E isso já é grande coisa.
Quinta, 5 de Agosto de 2010, 04:20 PM
O empréstimo de Adriano Pimenta ao Grêmio Prudente soou como uma desagradável surpresa à torcida do Sport.
Verdade que o clube anuncia dois bons meio-campistas, Marcelinho Paraíba e Fabrício, mas o que justificaria se desfazer do ótimo meia que possui e que, por desleixo, numa análise até ingênua deste blogueiro, não aproveitou como deveria no time.
Pimenta voltou de uma contusão grave há cerca de dois meses. Cerezo o escalou mal nas poucas vezes em que o escalou.
Parecia algo de caso pensado... Ah, como parecia.
Pimenta como segundo atacante nos olhos dos outros é refresco. A posição dele é meia armador, daqueles clássicos que enfiam a bola na diagonal para quem vem entrando da lateral, como fez com o Wilson várias vezes no ano passado.
E foi assim que ele encheu os olhos de alguns cronistas daqui e do Sul.
Era um diamante escondido, na Ilha.
E, ao que parece, deveria permanecer assim nesta Série B.
Curioso é explicar à patuleia que frequenta as arquibancadas da Ilha que Pimenta não serve para o Sport, um time que disputa a Série B do Brasileiro.
Mas vai cair como uma luva no Grêmio Prudente, que frequenta a Série A este ano.
E pode ser uma belísssima ponte para um grande clube.
Quem ganha com isso?
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