Terça, 10 de Abril de 2007, 09:32 AM
Fui ao Arruda nesta segunda-feira à tarde e reencontrei velhos amigos com quem convivi por seis anos quando cobria o time tricolor na década de 90. De cara, o lavador de carros Anum. Mais à frente, já no campo, topo com Ramom e Luciano, dois velhos ídolos corais, agora trabalhando nas divisões de base. No gramado, Charles Muniz tentando reanimar o time para o clássico desta quarta-feira diante do Sport.
No Centro Administrativo, levado pelo assessor de imprensa Álvaro Claudino, encontro Luiz Cláudio Carvalho, o braço direito do presidente Edson Nogueira desde tenras épocas. E me veio, então, à memória a história de um título inesquecível para os tricolores, que vou tentar lembrar aqui.
Março de 1993. Chegava para a cobertura diária do clube por volta das 14h30, quando Anum me apontou um rapaz magro, sentado próximo à Churrascaria Colosso.
- É aquele ali o novo reforço do Santa, Zé.
- Quem?
- Aquele! Insistiu Anum, apontando para um rapaz magro e franzino. Nunca vi centroavante desse tamanho. Mas no Santa jogador quando tem de dar certo, dá, reforçou Anum.
Aproximei-me do personagem e perguntei o nome. Era o sergipano Célio, 1,62m, vindo do São Cristóvão de Carmópolis pelas mãos do iniciante empresário de futebol Cádmo Barros.
- Estou com fome. Cheguei às dez da manhã e ainda não comi, disse Célio, que aguardava a chegada de Natan Alexandrino, vice de futebol para acertar o contrato, o que só ocorreu lá pelas seis da tarde.
Dou um salto no tempo e vou para a decisão do título estadual naquele ano. Noite de quarta-feira, no Arruda, se não me engano.
Célio está no banco. O Santa joga por uma vitória no tempo normal e um empate na prorrogação, pois havia perdido a primeira partida para o Náutico, nos Aflitos.
Fim do primeiro tempo. Náutico 1x0, gol de Paulo Leme, de falta, num frango do goleiro Marcelo. O time já estava com menos um, pois Washington, artilheiro do time e do Campeonato, havia sido expulso após atingir por trás o hoje comentarista da Globo Lúcio Surubim.
No intervalo, me encaminho para o elevador, pois tinha que acertar o horário em que sairimos do jogo com o fotógrafo lá embaixo.
A porta do elevador se abre e surgem nele, descendo das tribunas, o presidente Mirinda, o deputado André de Paula e Natan Alexandrino.
Mirinda está chorando.
- Você viu, Zé? O juiz (Wilson Souza) acabou com meu time, acusa, enquanto é consolado pelos amigos.
Nada respondi para não me meter numa discussão inócua. Não tinha visto má intenção do árbitro com o Santa e a expulsão de Washington fora justa.
Lá pelos 35 minutos do segundo tempo, Célio entra no lugar do volante Mazo. O Santa empata, aos 39, com um gol de Fernando (o hoje empresário Fernando Nogueira, diretor do Vera Cruz). Pouca vibração no estádio, pois a torcida já não acreditava numa reviravolta.
Àquela altura (fiquei sabendo depois por funcionários tricolores), o então gerente de futebol Edinho já estava em sua sala nos vestiários, reunido com Mirinda e Luiz Cláudio, penitenciando-se pelos erros que haviam cometido na temporada.
Não acreditavam mais que o time pudesse virar o jogo, quando sentem o estádio tremer com o gol da virada.
O lateral Araújo dá um chutão pra frente lá da defesa do Santa, a bola sobe e se prepara para cair na frente da área alvirrubra. O zagueiro Parreira tenta se antecipar e rebatê-la de cabeça. Mas faz um cálculo errado, pois a bola, molhada pela chuva fina que caía desde o início da etapa final, estava mais pesada.
Por centímetros, o zagueiro erra. A bola passa por baixo dele e espirra no bico direito da área para quem está atacando. Célio dá três passos e acerta um chute na orelha da bola. Ela faz uma pequena curva, o suficiente para fugir do alcance do goleiro Paraíba e morre nas redes.
O jogo foi para a prorrogação e os tricolores sustentaram heroicamente o resultado.
E Célio, pelo jeito, virou uma espécie de amuleto de Mirinda. Hoje, quatro anos após encerrar a carreira, trabalha na empresa do ex-presidente coral.
Sexta, 6 de Abril de 2007, 12:40 AM
Pretendia dar um grande presente aos leitores deste blog esta semana. Juntei uns trocados e enviei o sempre feliz Coquito, nosso mascote e repórter itinerante, para cobrir a festa do milésimo gol de Romário, no Rio de Janeiro.Mas o gol mil não veio. Bom repórter, Coquito é também dado a fazer contatos com o além. Por isso, não ficou frustrado com o gol que não viu no Maracanã. E foi buscar uma explicação para o acontecido.
"Quando entrei no estádio, eu já sabia que o Vasco e Romário estavam ferrados naquela noite, chefe", explicou o mascote.
"Por que?", indaguei.
"Simples, a energia do Maracaná não era favorável a Romário. Você não viu como ele estava amarrado?", respondeu.
"Seja mais claro, o que houve, Coquito!?"
Nosso mascote ajeitou a manga da camisa e justificou que estava bastante cansado, pois o vôo que o trouxe de volta ao Recife atrasou um pouco, mas deu início à narrativa:
"Na entrada do Maracanã, cruzei logo com Nelson Rodrigues. E ele estava acompanhado da grã-fina das narinas de cadáver e do botafoguense Carlito Rocha, que já havia apelado aos céus para seu time não levar o milésimo gol de Romário. E, como nós vimos, o Botafogo acabou dando uma surra no Vasco".
Mas o nome principal daquela noite de quarta-feira não era Romário e sim o Sobrenatural de Almeida, outro personagem criado por Nelson, acostumado a ajudar o Fluminense e que não gostou de ter que trabalhar na preliminar. O pó-de-arroz perdeu só de 1x0 do América de Natal e classificou-se à próxima fase da Copa do Brasil, mas o homem ficou bravo com essa história e resolveu se vingar no Vasco.
"O que fez, então, esse tal de Sobrenatural de Almeida?", insisti.
Coquito dá um sorriso maroto e explica:
"Logo no início do jogo, Rodrigo, do Gama, acertou um chute despretencioso, mas o Sobrenatural resolveu desviar a bola e o goleiro vascaíno até agora não sabe por que levou aquele frango. O Vasco conseguiu empatar, mas, no final, aquela bola chutada por Marcelo Uberaba também teve uma mãozinha do Sobrenatural, ganhou mais força e fez uma pequena curva. O Cássio não esperava. A raiva do Sobrenatural é que o Fluminense faria o jogo principal, mas o Baixinho resolveu agir nos bastidores e levou o jogo do Vasco, que seria em São Januário, para o Maracanã".
"Ah, bom."
Terça, 3 de Abril de 2007, 09:52 AM
Os alvirrubros não têm muito tempo pra chorar a derrota diante do Sport e a perda do Estadual.Nesta quarta-feira, já enfrentam o Paysandu pela Copa do Brasil. É o jogo da volta. Como perdeu na ida, em Belém, por 1x0, o Náutico tem que vencer pelo mesmo placar para levar a decisão aos pênaltis ou por dois gols de diferença para se classificar à próxima fase no tempo regulamentar.
O time paraense vem sem quatro titulares. Os atacantes Zé Augusto e Robson, o meia Fábio Baiano e o zagueiro Wellington.
Aqui pra nós, acredito que só Zé Augusto e Wellington farão falta, pois Robson, o nosso conhecido Robgol, e Fábio Baiano, estão em fase muito ruim. No jogo da Curuzu, foi de dar pena ver os dois em campo. Ambos sem mobilidade, pesados.
Como centroavante, Robson virou um bom deputado estadual. E devia levar Fábio Baiano para ser seu assessor.
Acredito que o Náutico tem boas condições de vencer. Contará com um bom público nos Aflitos e a torcida sempre fez a diferença.
Apesar dos percalços, o time alvirrubro encerra o Estadual com uma boa base. O goleiro Gléguer é o titular no gol. Valença e Alisson formaram uma boa dupla de zaga. Os laterais Sidny e Deleu ainda são inexperientes, mas Baiano (ex-Palmeiras e Boca Juniors) está chegando para ocupar o setor direito e a diretoria deve contratar um lateral-esquerdo de mais qualidade após dispensar Escalona.
No meio-de-campo, Eli Carlos tem boas condições de se firmar. Walker apresenta regularidade e Marcel é o camisa dez que qualquer time deseja. Falta, porém, um bom ponta-de-lança. Nem Christian, nem o uruguaio Acosta mostraram até agora futebol para ser titulares.
No ataque, Felipe e Kuki formam uma boa dupla, embora eu ache que o velho ídolo timbu já dá sinais de cansaço ou talvez de estresse, um desgaste que acomete muitos jogadores após tantos anos de clube. Que a Primeira Divisão lhe dê uma nova motivação para continuar fazendo gols pelo Náutico.
Segunda, 2 de Abril de 2007, 09:27 AM
E a nação rubro-negra vive sua aurora de bicampeã pernambucana. Amanhece de peito estufado, orgulhosa, bradando o grito de campeão aos quatro cantos, espalhando sua alegria pelo Recife.
Quem há de dizer que esse título não foi merecido? Quinze vitórias em dezesseis jogos.
Campanha inquestionável.
O título veio com uma consagradora vitória sobre um rival histórico, o Náutico. Mas, com sustos. Três bolas arremessadas por alvirrubros acertaram a trave de Magrão no início do jogo.
O Campeonato Pernambucano deste ano também consagra uma verdade histórica. A equipe que mantém a base do ano anterior larga em vantagem - as exceções existem, mas tem sido assim.
E foi o que o Sport fez. Segurou Durval, Fumagalli, Éverton, Bruno, Ticão, Magrão. E ainda trouxe jogadores que acrescentaram, como Carlinhos Bala, Luciano Henrique e Vítor Júnior.
Poderia ter sido mais difícil? Sim. Bastava que o Santa Cruz estivesse mais organizado. Mas os tricolores atravessam uma aguda crise e se perderam na formação da equipe.
O Náutico seria, então, o adversário a ser batido. E foi. Quando cresceu, na reta final, o Sport já estava embalado.
Dos alvirrubros, destaco Marcel como um dos melhores do Campeonato. Meia armador clássico, como há muito não se via por aqui. Toque de bola apurado e visão de jogo.
Pena que não tenha tido um companheiro à altura no meio-de-campo. O uruguaio Acosta é mais catimbeiro que jogador. E Christian ainda não reencontrou o futebol que jogava no Coritiba.
Sport e Náutico agora encerram o Estadual e se preparam para um desafio maior. A partir de maio, disputam a Primeira Divisão do Brasileiro.
Que o Sport não durma na sombra fresca da vitória. E que o Náutico faça uma reavalição, busque jogadores de maior qualidade. Assim, teremos um Brasileiro emocionante para os pernambucanos.
Do Santa Cruz, só podemos lamentar a campanha e a crise e torcer para que as lideranças saibam conduzir o time a um novo caminho, com menos percalços e menos frustrações para a torcida.
Sábado, 31 de Março de 2007, 10:11 PM
Apagão aéreo, a notícia do rabino Henri Sobel roubando em Nova Iorque (até tu, Sobel?), Lula prometendo um Brasil melhor que nunca vem, a violência que não pára de crescer em Pernambuco. É muita bronca e pouco dinheiro.Mas o conselho que dou ao torcedor neste domingo é: vá ao Clássico dos Clássicos, na Ilha do Retiro.
E que o domingo seja de sol, que a praia de Boa Viagem esteja limpa, com um terral, mar parado, realçando as piscinas naturais.
Um banho de mar de manhã, uma boa caminhada e um jogão à tarde. Kuki e Marcel de um lado, lutando para manter vivas as chances do Náutico de conquistar o título pernambucano.
Carlinhos Bala e Fumagalli do outro, sedentos de uma vitória para garantir logo a taça do Estadual para o Sport.
Nesses momentos de dificuldade e insegurança, o apaixonado por futebol pode passar 90 minutos "jogando", como nos tempos de menino. Mas, da arquibancada, curtindo os lances. E vibrando.
Que as torcidas não se encontrem nem antes nem depois do jogo para brigar. Que a PM esteja atenta e saiba usar sua autoridade, respeitando o torcedor e prendendo o vândalo.
E que Romário, enfim, faça o seu milésimo gol. E, se ele o fizer, vamos colocar nesta segunda-feira a minibiografia do Baixinho escrita por Antônio Falcão, craque das letras e das peladas em Campo Grande (segundo Lula Carlos, pois naquela época eu ainda não era nascido). Mas pela intimidade que o homem tem com as letras e com o assunto futebol só posso concluir que ele devia jogar um bolão.
Por isso, é o camisa 10 deste blog.
Veja todos os jogos da rodada no pernambuco.com, link acima desta página
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