Segunda, 26 de Março de 2007, 09:06 PM
Kuki e Marquinhos Caruaru dominaram o noticiário desta segunda-feira nas rádios e tevês.
O lateral tricolor se diz ameaçado pelo Baixinho dos Aflitos, que o acusa de tê-lo chamado de assassino durante o clássico em que o Náutico venceu o Santa Cruz.
No Arruda, o presidente Edson Nogueira anuncia dois possíveis reforços: os jogadores Miro Bahia e César Baiano, ambos do Ulbra-RO, time que eliminou o Santa da Copa do Brasil.
Na Ilha, os rubro-negros ansiosos aguardam Giovanni, jogador de 35 anos, anunciado como reforço do Leão para o Brasileiro. Sua contratação está gerando controvérsia entre dirigentes do clube.
E o Brasil vive a expectativa do milésimo gol de Romário, que pode sair quarta-feira contra o Americano (se não me falha a memória). Pode ser, mas duvido que Romário vá fazer o milésimo num estádio que não seja o Maracanã.
É, como o noticiário está fraco, aconselho vocês a lerem o ótimo texto de Antônio Falcão, aí embaixo. Um belo perfil do ponta-esquerda Éder, craque mineiro. Deleitem-se.
Segunda, 26 de Março de 2007, 08:58 PM
Por Antônio Falcão
Iniciando-se na arte literária, o francês Victor Hugo (1802-85) disse cheio de esperança: “Eu quero ser Chateaubriand ou nada”. Hugo tinha no compatriota François René Chateaubriand (1768-1848) a referência das letras. Ou, sabe-se lá, o ídolo. Resultado: adiante, o escritor de Os Miseráveis superaria o seu referencial artístico. E hoje é um dos maiores nomes da literatura universal.
Também na arte de jogar futebol aconteceu algo assim. E com o mineiro Éder Aleixo de Assis, de Vespasiano – cidade da região metropolitana de Belo Horizonte –, onde nasceu em 25 de maio de 1957. Nas memoráveis peladas da infância, ele imitava a destreza com que o conterrâneo Buião – um bom ponta-direita do Clube Atlético Mineiro – tratava a bola. E, como se veria depois, pela esquerda Éder se tornou dos maiores ponteiros de todos os tempos, anos-luz de habilidade à frente de Buião.
Isso se insinuara nele desde que chegou com 14 anos ao América de Minas Gerais, trazendo uma bomba no pé canhoto e a incrível precisão de pôr a bola onde bem queria. No alviverde mineiro, Éder estreou na equipe profissional em 76. E só lhe bastara jogar contra o Grêmio – à época, treinado pelo brilhante Telê Santana – para ser descoberto como dos mais certeiros batedores de falta do país. Nessa partida, ele foi encarregado de uma cobrança da intermediária e a bola, obediente ao seu chute fatal, aninhou-se nas redes do tricolor de Porto Alegre. A Telê não restara outra coisa senão pedir à diretoria do Grêmio que o levasse para o Rio Grande do Sul o quanto antes.
A partir de 1977, o gremista Éder passou a ser uma ameaça para os goleiros do Internacional – o famoso time Colorado, arquiinimigo do tricolor. Tanto que pelo Grêmio ele fez gols em 6 confrontos com o Inter. E não só propiciou ao time o título de campeão gaúcho de 77, como repetiu a dose em 1979. Daí, o exuberante futebol de Éder o levaria à seleção brasileira em maio desse ano, quando venceu o Paraguai por 6 a 0, marcando o ponta gremista um dos tentos. Àquela altura, ele já era cobiçado por clubes nacionais e estrangeiros. Porém, foi o Atlético Mineiro que o adquiriu através de uma troca com o meia Paulo Isidoro.
Evidentemente, a transação foi facilitada pelo fato de Éder ser atleticano fanático desde criança. E assim o atacante de chute potente, que já era cognominado de “o Bomba”, voltou à sua terra – onde seria o “Canhão Mineiro”. E o fez para viver a fase mais bela, auspiciosa e polêmica da sua movimentada carreira de atleta profissional.
Em Belo Horizonte, ele, bonito e incorrigível namorador, atraía as mulheres. E, após os treinos ou jogos, freqüentava boates e bares noturnos. Afora as meninas, essa vida boêmia que levava atraiu ainda a atenção da imprensa. Mas Éder soube esvaziar tal tipo de noticiário com o bom desempenho em campo, sem esquecer dos seus carinhos na bola nem dos gols sensacionais. E contribuiu, de 1980 a 83, decisivamente para sagrar o Atlético pentacampeão mineiro. Claro, nessa fase áurea teve que dividir a glória do Galo de Minas com estrelas tão fulgurantes quanto ele: Reinaldo, Luizinho, Cerezzo, João Leite e Nelinho. Bem como, nesse período atleticano ele teve o maior número de convocações para atuar na seleção brasileira – desde abril de 80, treinada por seu descobridor e fã, Telê Santana.
Porém, no escrete nacional havia Zé Sérgio, o hábil ponta-esquerda são-paulino, e isso fez o Canhão Mineiro ter que esperar a chance. Até que ela veio nas eliminatórias, com Zé Sérgio expulso de campo contra a Venezuela. Então, o disciplinador Telê sem pestanejar pôs Éder no time brasileiro para não mais sair. Ainda nesse 81, nos jogos preparatórios da seleção com ele na extrema-esquerda, o Brasil venceu – dentre outros bons selecionados – a Inglaterra em Wembley, a França no Parc des Princes e os alemães em Stuttgard.
Com tal performance, até o início da Copa do Mundo, a equipe de Telê havia disputado 32 jogos, obtendo 24 vitórias e 6 empates, perdendo tão-só para a União Soviética e o Uruguai. Isso, evidentemente, somar-se-ia ao currículo de Éder, que chegara na Espanha para o Mundial de 82 já como o destaque que assinalou um golaço nos russos e outro na Escócia. E assim o atacante brilhou naquele derrotado time dos sonhos que tinha, além dele, artistas da estirpe de Leandro, Júnior, Falcão, Zico e Sócrates. Entretanto, com o fiasco diante da Itália no catalão Estádio Sarriá, a tristeza desse Mundial foi compensada pelo ego vaidoso do ídolo mulherengo com as 16 mil cartas femininas a ele dirigidas. Em 83, atestando a unanimidade de Éder, a revista Placar o distinguiu com o troféu Bola de Prata.
Agora, o paradoxo: nesse mesmo tempo em que o Canhão Mineiro alcançou o melhor de si do ponto de vista técnico, viveu também a fase mais nebulosa do aspecto disciplinar. Com freqüência, ele era expulso de campo por revides a pontapés ou xingamento dirigido aos árbitros. O seu cúmulo nesse quesito é de 1981, quando respondeu a 13 processos – punido em todos – na justiça esportiva de Minas Gerais. Mas esse seu mau exemplo não o afastara do selecionado. Isso até que em abril de 86, quando era um nome certo entre os que iam ao Mundial no México, o ponta-esquerda, em gesto gratuito, agrediu um peruano em São Luís, no Maranhão, onde o escrete fazia amistoso. Enérgico, o técnico Telê – defensor intransigente do fair play – jamais voltou a trazê-lo de volta ao escrete. E Éder Aleixo, aos 28 anos, fecharia a conta de 53 partidas e 9 gols pelo Brasil. Tudo isso sem considerar que o seu temperamento irascível, movido pelo impulsivo caráter, afastava-o cada vez mais dos clubes europeus. E também predispunha os times brasileiros contra ele.
A partir de 1986, o Canhão Mineiro começou a girar pelo país afora, vestindo várias camisas. Tanto que, voltando do Internacional de Limeira ao Atlético Mineiro, ele se transferiu para o Palmeiras – onde nada realizou que mereça registro. Ano seguinte, esteve sobriamente no Sport Club do Recife e no Santos. Em 88, foi a vez dele no Botafogo carioca. E voltou ao Atlético no biênio 89-90. O paulista União São João, de Araras, teve o seu concurso em 91-92. A seguir, para surpresa geral, Éder reapareceu em Belo Horizonte para ser campeão, em 1993, da Copa do Brasil pelo Cruzeiro. Depois, diz-se – sem data – que ele andou pelos Cerro Porteño paraguaio e Fernebach turco. E pelo Atlético Paranaense, também. Mas certo é que o velho Canhão em 95 estava entre os atleticanos de Minas para vencer o estadual – sendo este o seu último título pelo Galo, o clube da sua paixão, onde, ao todo, fez 368 partidas e 122 gols. Por fim, para concluir a trajetória, em 1996 ele reapareceria no União São João de Araras.
Logo após Éder se aposentar da bola, sem dizer o seu nome e em artigo para a revista Placar, o ex-lateral atleticano Nelinho escreveu sobre um ex-companheiro: “Jogou até os 28 anos. Jogou. Porque enganando, ficou até os 40”. Se, de fato, trata-se de Éder, talvez o verbo enganar seja forte. E impreciso. Além de desrespeitoso para um craque como o Canhão Mineiro foi. A rigor, a contribuição de Éder Aleixo de Assis ao futebol-arte suplanta – inclusive – àquela confessa falta de fair play que ele, por razões puramente psíquicas, infelizmente expressou em atividade.
Segunda, 26 de Março de 2007, 09:07 AM
Alguns torcedores do Sport torceram o nariz quando a diretoria anunciou a contratação de Carlinhos Bala. O jogador ficou marcado pelos gestos obscenos contra a torcida rubro-negra na decisão do Estadual de 2006.
O ex-atacante do Santa Cruz, porém, foi para o Cruzeiro, onde não deu certo e retornou. Agora, na Ilha, vem mostrando a cada partida sua importência para o time. Pelos gols e pelas assistências para os companheiros, já é um dos principais jogadores do elenco.
A minoria que não gosta dele vai continuar não gostando. Carlinhos segue firme, confiante de que já conquistou a maioria dos torcedores.
Segunda, 26 de Março de 2007, 08:55 AM
Não há dúvida de que Giovanni é um jogador talentoso, mas sua vinda para o Sport já está gerando controvérsias entre os dirigentes.Aos 35 anos, será que o ex-craque do Santos e do Barcelona estaria em condições de disputar um Brasileiro da Série A pelo Sport?
Ainda há um agravante: o clube já tem em seu elenco o lateral-direito Evanílson, 32 anos, e acabou de anunciar o lateral-esquerdo Dutra, 33 anos.
Mais um jogador na faixa etária acima dos 30 não ficaria muito pesado para Ticão, Éverton, Fumagalli, Vitor Júnior e Carlinhos Bala carregarem?
Essas interrogações estão povoando a cabeça de alguns dirigentes na Ilha e a contratação de Giovanni poderá virar água.
Outra questão é o salário do atleta. Por enquanto, a contratação está sendo discutica em fogo baixo, mas o caso poderá esquentar.
Domingo, 25 de Março de 2007, 09:41 PM
A vitória alvirrubra no clássico manteve a emoção no segundo turno do Campeonato Pernambucano.
Se houvesse empate, o Sport iria ficar muito solto na liderança, mas, como o Náutico venceu, a competição permanece indefinida.
Afinal, faltam ainda quatro rodadas e os rubro-negros não são imbatíveis. Estão com 15 pontos, seis a mais que os alvirrubros.
As duas equipes vão se enfrentar na sétima rodada e antes o Sport ainda tem o enjoado Vera Cruz na próxima quarta-feira.
Pela exibição deste domingo, o Sport poderia até ter perdido. No segundo tempo, levou um sufoco do Serrano, que perdia por 1x0 e empatou o jogo.
Mas Carlinhos Bala marcou o segundo gol do time e dele no jogo aos 47 da etapa final e garantiu a vitória.
No Clássico das Emoções, nos Aflitos, o destaque foi o meia Marcel, autor do primeiro gol, e melhor em campo. O uruguaio Acosta também jogou bem e caiu nas graças da torcida.
O tricolor Marcelo Ramos marcou o ponto de honra do time, comprovando sua boa fase de artilheiro da competição, com 15 tenos.
Menos de dez mil torcedores pagaram para ver o clássico. Mais de 12 mil pagaram para entrar na Ilha.
Nos Aflitos, por pouco o clássico não pega fogo devido a uma discussão de Kuki com Marquinhos Caruaru.
O artilheiro alvirrubro acusa o lateral tricolor de tê-lo chamado de assassino.
E Kuki ainda saiu com uma frase estranha e infeliz no final do jogo. "A imprensa é louca para me ver sair dos Aflitos pela porta dos fundos".
Caro Kuki, de minha parte, digo que lamentaria bastante. Iríamos morrer de monotonia nesse universo de frases feitas do futebol que você teima em não absorver, nem reproduzir.
Por isso, vou desculpá-lo e colocar essa frase na galeria das infelizes, pois você costuma dizer coisa melhor nos momentos de fúria.
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