Terça, 20 de Março de 2007, 07:42 PM
O polêmico gol anulado por Wilson Souza domingo, em Caruaru, acabou gerando a discórdia entre ele e o bandeirinha Elan Vieira. O árbitro anulou gol lícito de Rivelino, do Vera Cruz, em chute de fora da área.
O bandeirinha deu alguns passos em direção à linha central e parou. Também não chamou o juiz para avisá-lo de que a bola teria passado por dentro da baliza antes de romper a rede.
Muito tímida a posição de Elan. Ele deveria ter chamado o árbitro e avisá-lo claramente sobre sua posição. Assim, daria a Wilson o direito de errar sozinho.
No Campeonato Pernambucano de 1990, num lance polêmico, a palavra do bandeirinha mudou a história da decisão do Estadual. Márcio Alcântara, zagueiro do Sport, marcou o gol que daria o título ao clube em posição legal.
Mas o banderinha Gilson Cordeiro levantou seu instrumento de trabalho e apontou impedimento. O árbitro Arlindo Maciel aceitou a marcação. Erraram os dois e o Sport foi prejudicado.
Erros de arbitragem marcam a história do futebol pernambucano.
Em 1975, com uma atuação horrível, Sebastião Rufino acabou decidindo o título a favor do Sport. Até hoje, os alvirrubros não lhe perdoam, assim como os rubro-negros amaldiçoam Gilson Cordeiro.
Os árbitros que apitam bem são facilmente esquecidos. Mas os que erram ganham a eternidade na memória da torcida cujo clube foi prejudicado.
É assim hoje e sempre será.
Segunda, 19 de Março de 2007, 07:55 PM
A Federação Pernambucana de Futebol anunciou no fim da tarde desta segunda-feira a punição ao árbitro Wilson Souza pelo erro na partida entre Central e Vera Cruz, quando este teve um gol lícito anulado por um grave equívoco do juiz, que não viu a bola entrar no gol e romper a rede. O Central venceu por 2x1.Wilson Souza foi punido com cinco rodadas de afastamento da competição.
Como o árbitro reconheceu o erro e o prejuízo que causou ao Vera Cruz, o caso foi entregue ao Tribunal de Justiça Desportiva. O jogo poderá ser até anulado.
Segunda, 19 de Março de 2007, 04:03 PM
Um grupo de torcedores do Vera Cruz está, neste momento, em frente à sede da Federação Pernambucana de Futebol protestando. Eles exigem uma punição ao árbitro Wilson Souza pelo gol anulado na partida contra o Central.
O presidente do Conselho Estadual de Arbitragem de Futebol, Aristóteles Cantalice, está reunido com a diretoria da entidade e deve anunciar a punição ao árbitro nas próximas horas.
Um ônibus chegou de Vitória com aproximadamente 40 torcedores. Entre as frases gritadas pelo grupo, duas chamavam a atenção:
"Ego, Ego, Ego, Wilson Souza é cego!!!"
"Ada, ada, ada, a rede estava furada..."
Alguns torcedores portam garrafas de bebidas alcoólicas.
Segunda, 19 de Março de 2007, 03:10 PM
Em entrevista à Rádio CBN, o árbitro Wilson Souza admitiu o erro na partida entre Central e Vera Cruz, em Caruaru. O time da casa venceu por 2x1, mas o árbitro anulou um gol legítimo da equipe de Vitória de Santo Antão, alegando que a bola havia passado por cima do travessão.Segunda, 19 de Março de 2007, 11:18 AM
Foto: Fifa
Falcão festeja gol pela seleção brasileira na Copa de 1982
Por Antônio Falcão
Paulo Roberto Falcão, meia da equipe da Roma de 1980 a 84, nasceu em 16 de outubro de 53, na cidade catarinense de Abelardo Luz. No time italiano, ele era chamado a justo título de Rei de Roma e um dia – pasmem! – fez o nada mais e nada menos Papa João Paulo II pedir aos diretores do clube que não o vendessem à Internazionale milanesa, como era anunciado.
Pois bem, no verão de 1990, eu fui com a minha mulher à capital da Itália e lá senti o quanto esse ex-craque ainda era prestigiado. Assim: numa rua que desemboca na Fontana di Trevi (de A doce vida, aquele filmaço de Fellini, lembram?), avistei exposta na vitrine uma calça a preço inabordável – pelo menos para mim. E – embora soubesse que, na Itália, só se concede 15% de desconto, no máximo – pedi abatimento ao comerciário solícito que veio me atender. O jovem negou e eu, descaradamente, menti, exibindo o meu passaporte brasileiro, falando um italiano indecente: Nem para mim, que sou primo de Falcão, o Rei de Roma?
O rapaz riu e, como quem descrê, olhou de novo meu documento para confirmar o nome: Falcão. Vendo que sim, falou que o ex-atleta é louro, e eu moreno. É..., no Brasil, pode – chutei. O discreto vendedor disse-me que, pelo parentesco, daria 40%. Desdenhei e pedi 50%. Ele resistiu, mas cedeu. Quando eu saía com a calça paga, o balconista romano veio a mim e, sem conter a emoção, exprimiu no seu idioma melódico: “Antonio, por favor, diga ao seu primo que ele faz falta à nossa esquadra”. Direi, sim. E “arrivedecci”...
Bem antes desse prestígio, porém, Paulo Roberto Falcão foi um menino pobre e sua família em busca de dias melhores se mudou para a cidade gaúcha de Canoas, junto de Porto Alegre. Aí, adolescente fanático pelo Internacional, Falcão se apresentaria de pedreiro voluntário nas obras do estádio Beira-Rio. À época, ele era apelidado de Sabonete, iniciando-se no time juvenil do Inter. E, às vezes, sem o dinheiro da passagem para ir ao treino, ele pagava o transporte de ônibus com o apurado da venda de garrafas usadas.
No entanto, para alguns que o viam em campo, dando passadas largas e de cabeça erguida, o jovem Falcão parecia rico. Contudo, todos os torcedores tinham certeza que ele era de fato um volante cerebral, de estilo elegante, liderança, técnica apurada em lançamentos precisos, raça na defesa ou no ataque e visão de jogo, muita visão. De resto, um estrategista. Tanto que o técnico argentino Carlos Bilardo – campeão na Copa do Mundo de 1986 – diria adiante: “Maradona foi o craque individual. Já Falcão é o tático, aquele que desenha o jogo para o time”. E estava redondamente certo o Bilardo.
Esse perfil o poria na equipe de cima do Internacional em 73, quando levou o título gaúcho. E Falcão tomara gosto, pois venceu o campeonato estadual mais três vezes seguidas, sendo tetracampeão do Rio Grande do Sul em 1976, ano em que – a 21 de fevereiro – ele estreou na seleção brasileira, em Brasília. Esse 76 foi para Paulo Roberto a data de seus maiores êxitos no escrete nacional: o Brasil venceu as taças Atlântico, Rio Branco e do bicentenário da independência dos Estados Unidos.
Só que o grande instante dele se deu no biênio 1975-76, vencendo consecutivamente o Campeonato Brasileiro pelo Sport Club Internacional. E formando em uma equipe que jogava por música com o pernambucano Manga – aos quase 40 anos de idade, o melhor goleiro do Brasil –, o magistral zagueiro chileno Figueroa, o paulista Marinho Perez e os gaúchos Batista e Valdomiro, além do outro pau-de-arara de Pernambuco, Lula, um senhor ponta-esquerda que serviu ao escrete brasileiro.
A essa altura, considerar Falcão como melhor volante nacional de todos os tempos se impôs. Na mídia, ele era o mais festejado e dizer que fez bom jogo em tal data passou a ser clichê, reles lugar-comum em se tratando desse ídolo. Tanto que em 1977, afora participar de amistosos no escrete brasileiro, ele fez 3 jogos nas eliminatórias da Copa do Mundo no ano seguinte. Porém, para tristeza de todos, Paulo Roberto Falcão não foi incluído entre os que foram ao Mundial na Argentina.
Isso, por si, já era grave. Mas virou absurdo quando o pedante técnico do nosso selecionado, Cláudio Coutinho, preferiu o truculento Chicão no lugar indiscutível do craque do Inter. Nesse ano, Paulo Roberto venceu outro estadual. E no seguinte, 79, no Colorado o volante ganhou mais um Campeonato Brasileiro, ocasião em que o consideraram o astro do certame, sobretudo após o que fez na semifinal, contra o Palmeiras, realizando a melhor partida da sua vida. Ele ainda foi convocado seis vezes por Cláudio Coutinho, que queria se redimir de não tê-lo levado à Copa ganha pela Argentina. Então, só na era Telê Santana – iniciada a seguir – a categoria abissal do meia armador do futebol gaúcho seria definitivamente reconhecida e vista pelo mundo inteiro.
Mas, antes de vestir a camisa 5 do Brasil, Falcão foi vendido ao Roma, em 1980. E nessa capital seria endeusado desde 81, vencendo a Copa da Itália – título repetido em 84. Todavia, o troféu maior da estada desse brasileiro no clube foi em 83, quando – após 42 anos de espera angustiante – o time levou o campeonato, conquistando o almejado scudetto e, para sempre, o carinho sincero e duradouro da torcida romana.
Enquanto esteve no exterior – de 1980 a 84 –, Falcão fez vários jogos pelo selecionado brasileiro. Inclusive os da Copa do Mundo de 82, disputada na Espanha, onde o escrete – com a mais técnica equipe que já se viu – fora eliminado pela Itália de Paolo Rossi. Essa competição de triste memória excluiu de ser campeões mundiais os mais talentosos craques brasileiros surgidos até então. Nesse rol, além dele, Paulo Roberto Falcão, claro, incluem-se Leandro, Júnior, Zico, Sócrates e Éder – todos eles derrotados injustamente no catalão Estádio Sarriá, onde ocorreu esse infortúnio futebolístico.
Em 84, com um sério problema de menisco, Falcão quase pára de jogar. Mas, no ano seguinte, ele foi adquirido pelo São Paulo para vencer o estadual paulista. E, em 1986, com relativa forma física iria à Copa do Mundo no México fazer só dois pálidos jogos pelo Brasil. Logo após esse Mundial da mágoa de Zico, o volante são-paulino decidiu findar a carreira aos 33 anos, somando 38 partidas e 9 gols pela seleção brasileira. E deu início à curta vida de técnico, encargo que o fez treinar – além do seu Internacional – o América mexicano, a seleção japonesa e o próprio escrete brasileiro – este, em 1990/91, e sem brilho.
Na vida íntima, além de ter feito um pé-de-meia de expressão, o ex-craque casou, teve um filho e um divórcio. Como se veste bem, fez vida social intensa – inclusive na Itália – e criou uma grife de roupas e acessórios da moda. É um homem fino e de certo verniz intelectual – fala com clareza, elegância e cordialidade, como fazia com os colegas de equipe quando esteve em campo. E escreve extremamente bem as colunas esportivas que assina em vários jornais, desde que se adaptou como comentarista profissional de tevê e rádio. Em 2002, Paulo Roberto Falcão foi cogitado para assumir cargo diretivo na Confederação Brasileira de Futebol, a escorregadia CBF. Porém, com a habilidade de quem sempre soube driblar, ele disfarçou e seguiu levando a vida de homem da imprensa. Nessa condição, por sinal, é dos comentaristas esportivos de proa e de maior popularidade da Rede Globo, devendo cobrir a Copa do Mundo de 2006, na Alemanha.
Anterior Próxima




Calendário




