Sábado, 17 de Março de 2007, 07:58 AM
Guernica, obra de Picasso inspirada no drama dos bascos
Por Horácio Sayago Cometti
O Campeonato Espanhol vende ao mundo que é uma festa, mas guarda em sua tradição um conflito histórico entre o povo basco e os espanhóis. Como argentino, poderia escrever sobre a enorme rivalidade do clássico Boca Juniors x River Plate, mas prefiro cultuar a memória de meus ancestrais, coisa que no Brasil só vejo os gaúchos fazerem.
Tenho ascendência materna basca e, pelo lado paterno, italiana. Bem, o País Basco (Euskadi) está situado no Nordeste da Espanha e vai até o Noroeste da França pelo Golfo de Bizkaia, estendendo-se até a região de Bayonne, cujo evento cultural mais conhecido é o festival internacional de cinema de Biarritz.
Estima-se que os bascos tenham ocupado a Península Ibérica por volta do ano 2000 a.C. e resistido às constantes invasões sofridas pela região ao longo dos séculos. Apesar da dominação romana, eles mantiveram sua língua, costumes e tradições, num processo de constante resistência. A língua basca não tem parentesco com nenhuma outra no mundo e embora seja a língua mais antiga falada hoje na Europa, o vasconço somente constituiu-se como língua escrita no século XVI e reforçou o sentimento de união do povo.
O desenvolvimento de uma política socialista e ao mesmo tempo nacionalista esteve vinculada à história mais recente do povo basco: durante a Guerra Civil Espanhola (1936-39) a maioria da população basca apoiou os republicanos, aliados naquele momento aos socialistas e anarquistas, provocando violentas represálias por parte dos fascistas, sendo que o episódio mais conhecido foi o bombardeio da cidade basca de Guernica no dia 26 de abril de 1937, quando a aviação da Alemanha nazista lançou bombas incendiárias, matando mais de 1000 civis.
O massacre inspirou o pintor Pablo Picasso a fazer o seu quadro mais famoso: Guernica: “Inspirei-me no grito das crianças, das mulheres, no sofrimento dos homens e dos animais”, diria ele, anos depois ao falar sobre a obra e o bombardeio sobre a cidade.
Atualmente, os bascos possuem três clubes disputando o Campeonato Espanhol: Atlhetic Bilbao, Real Sociedad e Osasuna. Desses, o Atlhetic é o que detém o maior número de títulos do Campeoanto Espanhol, oito no total. O Real Sociedad já foi campeão duas vezes, enquanto o Osasuna ainda não levantou a taça.
O povo basco se identifica facilmente pelo biotipo. Altura média de 1,70 m, cabelos lisos, ruivos, castanhos ou loiros. O lateral Lizarazu (foto acima), campeão mundial pela França, é de origem basca, assim como o goleiro Zubizarreta, ídolo na Espanha na década de 90.
Tem um idioma e uma escrita muito antigos e uma história de lutas. Foi o primeiro povo da Europa a habitar as montanhas da região. Seu sentimento de nação basca é forte, mas sempre oprimido pelo poder central da Espanha e da França, que se agravou nos tempos de Napoleão Bonaparte, passando no século 20 pela mesma opressão do ditador espanhol Francisco Franco e nos tempos atuais pela "democracia da UE".
Através dos séculos, esse povo viu seus filhos marcharem, emigrando para os quatro cantos do mundo, mas quem ficou foi moldando uma forma de resistência bem particular. Os trabalhadores bascos que atuavam nas minas de carvão da Inglaterra adotaram o "football" como um de seus passatempos. Pelo contato físico, o espírito aguerrido e a exigência da participação coletiva, o esporte virou uma espécie de arma dos bascos para competir com o resto da Espanha e com os franceses.
Aguerrida, a torcida dos clubes bascos levava à loucura os repressores da guarda nacional na Era Francisco Franco, quando seus times enfrentavam os rivais espanhóis. Com hinos e canções de luta. Quando as equipes bascas passaram a encarar e a dobrar clubes como Barcelona e Real Madrid na Era Franco - este um fervoroso torcedor da equipe madrilenha -, o Real investiu pesado em craques como o argentino Di Stéfano e o húngaro Ferenk Puskas, falecido recentemente, para voltar a recuperar a hegemonia.
Só nos últimos 15 anos, duas equipes bascas (Real Sociedad e Osasuna) passaram a contratar estrangeiros para defender suas equipes, entre eles o brasileiro Sávio (ex-Flamengo). O Athletic permanece com a mesma política de manter o grupo apenas com jogadores de origem basca.
Há cerca de 20 anos, o Atlhetic não ganha um título espanhol. Mas, esperamos, tempos de renovação vêm aí, amigos.
Hasta Siempre!
Horácio Cometti mora no Recife, onde trabalha como comerciante
Sexta, 16 de Março de 2007, 10:12 AM
Desde que Claudemir Gomes anunciou em sua coluna, na Folha de Pernambuco, há uma semana, que há um grupo de diretores da Federação Pernambucana de Futebol tentando articular mais um mandato para Carlos Alberto Oliveira à frente da entidade, que eu me pergunto: de novo? De novo? De novo!!!Não tenho nada contra Carlos Alberto, mas não acho que se justifique a reeleição, mais uma, por causa de uma possível, mas pouco provável, Copa do Mundo no Brasil com Pernambuco sendo uma das subsedes do evento.
Com ele à frente da FPF ou não, há profissionais capazes de tocar um projeto desta envergadura no Estado, caso a Copa venha mesmo para cá.
Além do mais, seria o quarto mandato dele na FPF, totalizando 16 anos de reinado. Mais: como seu irmão, Fred, passou dez anos na presidência da entidade nós teríamos a Federação há 26 anos sob o comando de uma mesma família.
De 1957 a 1984, a entidade foi dirigida por Rubem Moreira, um presidente que se fez respeitar em todo o território nacional por sua inegável força política e poder de articulação - foi um dos responsáveis pela eleição de João Havelange na antiga CBD (Confederação Brasileira de Desportos). Também sobraram histórias engraçadas a respeito de sua figura pitoresca (já pensei até em escrever um livro sobre isso). Mas nem por isso, seu mandato foi menos desagradável em termos de democracia, de troca saudável de poder.
A renovação é necessária em todos os segmentos e o futebol não deve ser excluído desse processo.
Quinta, 15 de Março de 2007, 10:25 AM
Os dois gols marcados diante do Ananindeua pelo meia Luciano Henrique deixaram uma interrogação na cabeça dos rubro-negros.
O ex-meia santista entrou no lugar de Fumagalli, maior ídolo do clube nos últimos cinco anos, que se machucou ainda no primeiro tempo, e deu uma nova dinâmica ao time.
Mais velocidade, mais troca de passes na entrada da área (em direção ao gol), mais finalizações e mais espaços para as penetrações de Vítor Júnior e Carlihos Bala.
O Sport, então, deslanchou. Fez cinco e despachou o time paraense já na primeira partida, ganhando mais tempo para os jogos do Pernambucano, na reta final.
E essa briga pela posição entre os dois tende a crescer. Afinal, Fumagalli também tem suas qualidades e não virou ídolo por acaso.
Vejamos: ele exerce uma importante função tática no lado direito do meio-de-campo, fechando o setor e abrindo espaços para o avanço do lateral (Evanílson ou Osmar). Neste quesito, é melhor que Luciano, pois marca melhor.
É hábil, erra pouquíssimos passes e também aparece para finalizar na área. Tem menos velocidade do que Luciano Henrique, mas é caprichoso nas finalizações.
Até o final do Campeonato Pernambucano, Gallo vai permanecer com essa dúvida, mas quando o cinto apertar durante a Série A do Brasileiro, certamente, ele vai tomar uma posição.
Dificilmente, o treinador optará pela saída de Vítor Júnior, muito bem encaixado no time, ou Carlinhos Bala. Também acredito que não vai tirar o centroavante, seja ele Weldon ou Washington, pois o time precisa de um jogador de referência entre os zagueiros inimigos.
É, Luciano ou Fumagalli, um dos dois vai sobrar.
Quinta, 15 de Março de 2007, 12:43 AM
Quando um time está por cima até o que parece ruim transforma-se em algo positivo.Pouco mais da metade do primeiro tempo e o meia Fumagalli sofre uma contusão e sai de campo com o nariz sangrando, no Estádio Mangueirão, em Belém. Até então, Sport e Ananindeua faziam um jogo equilibrado pela segunda fase da Copa do Brasil.
Entra Luciano Henrique. E muda a história do jogo.
Como o Sport estava tendo dificuldade de penetração na área do Ananindeua, o estilo
do meia santista emprestado aos rubro-negros se encaixa bem no que o time precisava.
Uma falta da entrada da área. Carlinhos Bala rola e Luciano Henrique chuta forte: 1x0.
Três minutos depois, Vitor Júnior dá um passe na medida para Luciano, que vinha chegando.
Chute colocado. Na conta do chá. Bola na rede: 2x0.
No segundo tempo, o Sport apenas administrou o placar e procurou sair na boa.
Mesmo assim, fez mais dois gols.
Weldon aproveitou uma falha da zaga paraense e, enfim, marcou o primeiro gol no seu retorno ao Sport: 3x0.
Vítor Júnior, que fez excelente partida, fez o quarto, e seu substituto, Washingtom, fechou o placar.
Agora, o Sport vai esperar o vencedor do confronto Palmeiras x Ipatinga-MG.
RÁPIDAS
VISITANTES INDESEJÁVEIS - O Sport não foi o único visitante indesejável na rodada da Copa do Brasil desta quarta-feira.
Em Campina Grande, o Treze apanhou do Corinthians, 2x0. O Fluminense bateu o América-RN, em Natal. E o Fortaleza derrotou o Atlético Goianiense, em Goiânia.
MAL AGOURO - O Sport marcou para o dia 13 de maio a inauguração do novo lance de cadeiras na Ilha do Retiro. Será no jogo contra o Santos pelo Campeonato Brasileiro. O detalhe é que o time é danado pra perder no dia do Aniversário. Lembram do Santo André? Lembram do Grêmio? Te cuida, Sport.
LIBERTADORES - A derrota do Internacional para o Velez, na Argentina, pela Libertadores, foi um verdadeiro vexame para um campeão mundial: 3x0. Já o Santos, de Luxemburgo, bateu o Gimnasia, na Vila Belmiro, por 3x0, e Cléber Santana fez um dos gols.
Veja todos os resultados da Copa do Brasil e da Libertadores no Pernambuco.com, link na barra acima desta página
Quarta, 14 de Março de 2007, 08:36 AM
Os tricolores fizeram uma bela homenagem a Chico Science no Blog do Santinha nessa terça-feira, lembrando os 41 anos de nascimento do maior ídolo da música pernambucana dos últimos tempos. Tentei encontrar Gerrá Lima, autor do texto, e não consegui. Mas falei com Samarone, um dos editores do blog, para reproduzir o texto no Arquibancada. Parabéns ao autor pela homenagem. Por Gerrá Lima
Nascido em 13 de março de 1966, Chico Science era morador da 2ª etapa de Rio Doce, periferia de Olinda, perto do mangue. Chico buscou na lama a inspiração do seu trabalho e fez uma revolução na adormecida cena musical de Pernambuco, trazendo a reboque a valorização da cultura popular e influenciando compositores de todo o país.
"Eu vim com a Nação Zumbi, aos seus ouvidos falar…" - falou, mandou seu recado e todo mundo ouviu.
Líder da banda Chico Science & Nação Zumbi, deixou dois discos gravados, "Da lama ao caos" e "Afrociberdelia", que até hoje fazem sucesso.
Mas Francisco de Assis era um malungo torcedor do Santa Cruz, isso mesmo, tricolor do Arruda.
Chico Science era o retrato exato do torcedor coral: criativo, morador de periferia, figura simpática, malungo sangue bom.
"Andando por entre os becos, andando em coletivos…"
Imagino Chico Science vivo, fazendo um mega-show no Arruda, junto com figuras como Canibal do Devotos, Spock, Zé Brown, Ademir Araújo e sua orquestra, Naná Vasconcelos, Fábio Trummer, Rogerman, Tiné, Niltinho e outros tantos ilustres tricolores que fazem a música pernambucana.
"… quero ver o santa subir e muita fumaça no ar".
Acho mesmo é que Chico Science está com Capiba, fazendo uns frevos de mangue falando do Santa Cruz. Ou então discutindo o futuro do Santa Cruz com os santos, afinal, com um nome desse, tenho certeza que o nosso Santinha tem a maior torcida lá no céu. Quem sabe se lá pras bandas do céu, Francisco num tá liderando a banda Chico Science e a Nação Coral.
Chico meu irmão, aproveita e pede pra galera daí dar uma ajuda, a torcida do Santinha não merece essa maré de azar.
Em tempo: a foto de Chico com a camisa do Santa está no Blog
do Santinha, click no link dos recomendados à sua direita
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