Juca, mais um craque no Arquibancada 
Segunda, 5 de Março de 2007, 12:11 PM
Aos poucos, o blog arquibancada vai formando seu time. O Mandra Brasa, do amigo Marcus Andrey, oferece doses de humor do tamanho (e peso) de seu autor para os nossos leitores começarem o dia mais alegres. O Estuário, de Samarone, nos traz poesia em forma de crônicas muito bem escritas por esse cearense (agora morador do Cabo) apaixonado pelo Recife.

E, nesta manhã, incluímos mais um craque nesse time: o Blog do Juca, de Juca Kfouri, um dos melhores jornalistas deste País. Assim, os leitores do Arquibancada não precisam perder muito tempo navegando para achá-lo. É só clicar no link dos recomendados, à sua direita na tela. Juca traz sempre ótimas informações dos bastidores do futebol, principalmente do eixo Rio-São Paulo.

E também já oferecemos blogs específicos dos clubes, além do Blog do Santinha, de Inácio, e do PaixãopeloSport (aquele abraço, Pedro Jorge!).

Em tempo, para quem gosta de economia e política, é só acertar as contas com Marco Bahé, do blog Acerto de Contas.

Também não poderia esquecer de Antônio Falcão e Giba Carvalheira. Mas esses já fazem parte da comissão técnica.
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Democracia Corintiana, 20 anos  
Segunda, 5 de Março de 2007, 06:51 AM

Por Washington Olivetto

O futebol-paixão extrapola todas as fronteiras, contamina sociologia, ciência, política, antropologia, e a bola acaba fazendo História com H maiúsculo.

Se você voltar o filme, vai reparar: início dos anos 80, o Brasil começa a mudar. E no início de tudo está o Corinthians.

Recapitulando: ditadura militar desde 1964, prisões arbitrárias, censura à imprensa, todo mundo de bico calado.

De repente, um ensaio de abertura e o regime anuncia uma anistia. Os exilados vão voltando, o Gabeira vai de sunga ao píer de Ipanema, Caetano fica Odara e Glauber Rocha assiste a filmes com o general Golbery no Palácio do Planalto. A oposição reorganiza seus partidos.

E no futebol? No futebol nasce a Democracia Corintiana de um acaso feliz: a súbita e inesperada reação química que se produziu quando se juntaram no mesmo time cabeças privilegiadas e espíritos insubmissos. E felizmente a coisa não ficou só no papo acadêmico.

A Democracia Corintiana foi também um futebol de resultados. Enquanto durou esse movimento sociopolítico-esportivo, a gente foi feliz e sabia.

Os acasos convergentes começaram com a chegada do Dr. Sócrates, de Ribeirão Preto, somando-se ao garotão Casagrande, que a torcida consagrou como Casão, Wladimir com sua autoridade macia e serena, Zenon, Biro-Biro, Juninho, Alfinete.

As coisas foram acontecendo naturalmente.
Uma geração que tratava com intimidade a bola, mas que sabia ser madura fora do campo.

O que aconteceu no Corinthians foi o estopim de um processo de redemocratização do país.

Enquanto liberdade era um grito dado em salões acadêmicos, os militares não se tocavam. Mas imagine aquela galera toda aplaudindo um time de massa que entra em campo com "Democracia" estampada na camisa.

A CBF tinha acabado de autorizar anúncios nas camisas (até então proibidos), e o Corinthians decidiu anunciar o produto que andava mais em falta no Brasil.

Era o pontapé inicial na mobilização. Depois foi aquele turbilhão das Diretas Já. Palanques de milhões de pessoas clamando para votar em presidente, quando o presidente da época ainda era um general.

Em novembro de 1982, às vésperas da eleição para governador, o Corinthians entrava em campo com uma única inscrição na camisa: "No dia 15, vote".

Votar tinha deixado de ser um hábito e ainda não era uma coisa muito bem-vinda por alguns. Mas começou a ser.

A Democracia Corintiana venceu os dois campeonatos paulistas que disputou: o de 82 e o de 83.

Em 1983, na noite do bicampeonato, antes de começar a partida, Sócrates, Casagrande, Wladimir, o time todo abriu uma faixa de dez metros de comprimento: "Ganhar ou perder, mas sempre com democracia".

E, a partir desse dia, o Brasil nunca mais foi o mesmo.
Felizmente.

Publicado na Revista Ocas, novembro de 2002.


Nota do autor
Se analisarmos só o futebol, naquele início dos anos 80 o Corinthians tinha realmente uma grande equipe, mas o Flamengo de Zico, Adílio, Carpeggiani, Júnior e Leandro tinha uma equipe ainda melhor, que ganhou praticamente tudo que disputou, enquanto o Corinthians foi apenas bicampeão paulista.

Só que hoje, passados mais de 20 anos, quem virou história, filme, documentário, livro, retrospectiva e tese acadêmica foi a Democracia Corintiana, porque era futebol, mas não era só futebol. Coisa que o texto escrito por mim deveria ter observado, mas não observou.

Esse artigo faz parte do livro Os Piores Textos de Washington Olivetto, Editora Planeta.
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Sócrates, a inteligência aplicada 
Segunda, 5 de Março de 2007, 06:15 AM
Por Antônio Falcão

Ele foi a antítese do bom atleta: era contra treinos individuais ou coletivos e abstinência – sobretudo de sexo, álcool, fumo, noitada e viola (que tocava). Até o seu nome fugia do convencional: Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira. Estudou medicina enquanto jogava, expôs-se em política e viu o binômio cartola-jogador da ótica das relações de trabalho. Deu-se à cidadania com afinco, sendo intransigentemente solidário com os colegas de profissão.

Para empregar o termo típico da inútil e néscia ditadura militar brasileira, Sócrates era subversivo. Todavia, do ponto de vista estritamente democrático, um cordial e saudável subversivo – utilíssimo à humanidade.

Foto: divulgação
Por acaso, ele nasceu em Belém do Pará a 19 de fevereiro de 1954 e se criou na paulista cidade de Ribeirão Preto, onde aos 16 anos atuava no Botafogo Futebol Clube local. Aos 18, já matriculado na escola de medicina, Sócrates soube conciliar o curso escolhido com a vida de craque. Desde aí, atraídos pela soberba bola desse meia-armador e atacante essencialmente técnico, vários times brasileiros o queriam.

Muita gente mais velha passou a ver nele a reedição de Ipojucan, o excepcional vascaíno de, também, 1,91 m de altura, muito clássico, que usava com propriedade o calcanhar e fazia lançamentos incríveis. Porém, Sócrates, que nunca viu Ipojucan, ouvia essas comparações agradecido. Por esse tempo, ele decidiu só sair do Botinha (apelido carinhoso do Botafogo de Ribeirão Preto) quando concluísse o curso universitário.

Sócrates na seleção brasileira em 1982

E em 76, já profissional no futebol, o acadêmico foi artilheiro principal do campeonato paulista com 15 gols. Dois anos adiante, como prometera, Sócrates permitiu que seu passe fosse negociado com o Sport Club Corinthians Paulista. E na ocasião já era médico.

De cara, sem rodeios, assim que chegou ao clube da capital ele se disse adversário da concentração: “Se cada jogador cuidar da própria resistência, será mais responsável”. Os conservadores de todos os matizes puseram a barba de molho – embora que o barbudo fosse ele, Sócrates. E cabeludo também. Depois, tranqüilo, falou que fumava, bebia e gostava de violão.

Contudo, o que os fanáticos torcedores corintianos tiveram dificuldade de engolir foi quando ele revelou que o seu coração era santista. Mas tudo isso seria fichinha se comparado ao que o apelidado Magrão fez jogando e na ante-sala dos costumes do Corinthians. Em 1979, Sócrates venceu o certame estadual e, inspirada nele, instalou-se a democracia corintiana – conjunto de ações que fez, por exemplo, o voto do atleta reserva ser igual ao do diretor de futebol e as decisões só valiam se expressassem a vontade da maioria. Hoje, com o regime democrático de volta ao Brasil, isso é normal, faz parte do cotidiano. Mas na época do execrável regime militar...

Nesse mesmo 79, Sócrates estreou na seleção brasileira em 15 de maio. Ele disputara a Copa América (também em 83) e o Mundialito, ficando no time titular até o Mundial na Espanha, em 1982, quando formou com Zico, Falcão e Cerezzo o quadrado mágico que encantara o planeta, apesar de o Brasil ter sido vencido. De volta ao clube alvinegro, o Doutor – nome que lhe fora dado em função do título universitário e pelo fato de saber tudo de bola – fez a equipe conquistar o campeonato estadual. E bisaria esse troféu no ano seguinte, levando a massa corintiana ao delírio.

Por vê-lo fazer jogadas magistrais com o calcanhar, o Magrão recebeu de Pelé um comentário no mínimo curioso: “Ele joga melhor de costas do que de frente”. A essa altura, o Doutor era procurado por emissários europeus querendo levá-lo, todos a verem nele um craque artístico que, efetivamente, aplicava a inteligência. Todavia, Sócrates – com 302 jogos e 166 gols pelo Corinthians – teimava em ficar no Brasil.

Mas a emenda do deputado Dante de Oliveira – que restituía ao País o direito de realizar eleições diretas em todos os níveis, inclusive para a Presidência da República – não vingou no Congresso Nacional e, frustrado, o Magrão foi para a Fiorentina, em 84. Na Itália, teve vários motivos para não se adaptar – um deles, além do frio, o excesso de treinamento físico, já que era avesso a essa prática. Ainda ficou em Florença até 1986, aproveitando o tempo para se aprimorar em matéria de arte e história natural.

Na primeira volta ao Brasil, ele foi para a campineira Ponte Preta. Contudo, em Campinas se deu conta que a promessa que lhe fora feita era fria e que, sequer, a soma das luvas lhe fora paga. Resultado: Sócrates retornou a Firenze. E a seguir, felizmente, seria adquirido por empréstimo pelo Flamengo e se fixou no Rio de Janeiro.

Uma das coisas que o animara a desembarcar na Gávea era a possibilidade de fazer dupla com Zico – o seu ídolo e companheiro de escrete. E que com o Doutor perdera a Copa do Mundo naquele mesmo 1986 – ano em que ambos encerrariam a estada no time nacional do Brasil. Sendo que Sócrates, ao contrário do Galinho, só fizera 65 partidas e apenas 25 tentos pela seleção.

Para tristeza dele e de Zico, no rubro-negro só atuariam uma vez. Durante mais de um ano, quando o Doutor tinha condições de jogo, o Galo estava contundido; quando Zico podia, ele era entregue ao departamento médico. Isso, porém, não impediu Sócrates de receber a faixa de campeão carioca de 1986. No ano seguinte, por divergência financeira, o Magrão saiu do Flamengo. E quis abandonar o futebol, indo para o interior de São Paulo jogar em pelada e exercer medicina.

Entretanto, sem que esperasse, chega-lhe um convite do Santos Futebol Clube para que vista a camisa branca, a mesma que serviu de manto ao Rei Pelé e a outros craques santistas. Sócrates, sem muita elucubração – esquecido de que as pernas sentiam o peso inexorável dos 34 anos de boemia e quase nenhum preparo físico –, foi para a Vila Belmiro.

Para quem sabia cadenciar um jogo como ele, não foi difícil fazer aquele campeonato estadual paulista de 1988 pelo Peixe. No entanto, também não se adaptava mais às viagens constantes, que o fazia se ausentar de casa, onde os filhos cresciam. E parou outra vez.

De volta à sua Ribeirão Preto para ser tão-somente médico, o Magrão não resistiu e ainda disputaria umas partidas do campeonato de 1989 pelo Botafogo local, o mesmo Botinha que lhe revelou. E, depois de se despedir das chuteiras, efetivamente foi exercer a profissão exclusiva de médico. No entanto, quando se entendia conformado sem futebol e curtindo os últimos anos de ídolo do seu mano Raí – que brilhou no São Paulo, Paris Saint-Germain e na seleção brasileira –, eis que teve uma recaída e assumiu, a pedido do ex-lateral-direito Leandro, o comando técnico da Associação Atlética Cabo-friense, no interior do estado do Rio. Seu êxito foi levar o clube à primeira divisão do certame carioca. Contudo, em Cabo Frio, o Doutor Sócrates se deu por satisfeito com isso e voltou a Ribeirão Preto para – enfim – ser só médico.

No plano das idéias políticas, ele se manteve de esquerda e militante, sem estardalhaço, no Partido dos Trabalhadores, o PT, organização que elegeu Luiz Inácio Lula da Silva presidente da República, em 2002. Entretanto, esse antigo artista do futebol brasileiro nunca fez questão de ser político. No fundo, esse politizado e pacato habitante de Ribeirão Preto é igual a esta frase de uma revista: “Sócrates jamais se esforçou para ser um craque. Ele simplesmente era”.


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Toró de gols 
Domingo, 4 de Março de 2007, 06:08 PM
O alvirrubro não perdeu a viagem aos Aflitos neste domingo para ver seu time enfrentar o Ypiranga, algoz na primeira rodada do Campeonato Pernambucano. Queria ver Beto Acosta em campo e viu até o primeiro gol do uruguaio com a camisa vermelha e branca. Queria ver gols de Kuki e viu. Queria gols de Felipe e também viu. Até o zagueiro Índio, que não está acostumado, marcou o seu.

Assim, o Náutico estreou no segundo turno. Com uma goleada por 6x0 em cima do clube agrestino.

O placar dilatado demonstra bem a reação do Náutico que se coloca como o principal adversário do Sport neste segundo turno.

O Sport que, com dificuldade e uma boa atuação do goleiro Magrão, conseguiu superar a Cabense por 3x1, no Gileno de Carli. Vitória suada, pois o time de Gallo levou um sufoco no segundo tempo.

Um gol de Bia em chute de fora da área e outro de Ticão, aproveitando falha do goleiro Davi, deram alívio ao Leão. Carlinhos Bala marcou o primeiro gol do Sport.

Na próxima rodada, o Náutico pega um aparente osso duro. O Vera Cruz, que não fez boa campanha no primeiro turno, surpreendeu o Porto em Caruaru, goleando-o por 4x0.

Já os rubro-negros enfrentam o Ypiranga, na Ilha. Mas no domingo têm outro jogo duro. Será contra o Central, em Caruaru.


SÃO PAULO - Edmundo deu um show em cima do Corinthians, de Leão. Palmeiras 3x0 com dois gols do Animal. O treinador corintiano está cada vez mais enforcado no Timão. Também é preciso ter muita coragem para mandar contratar Tamandaré.

RIO DE JANEIRO - O Flamengo levou outra pancada do Madureira, cada vez mais zebra e favorito ao título da Taça Guanabara. Venceu por 1x0 e só precisa de um empate na segunda partida. Valdir Papel está cada vez mais valorizado na bolsa fluminense dos boleiros.

BOCA, VELHO FREGUÊS - Meu amigo e vizinho, Horacio Cometti, já está acostumado. Seu Boca Juniors já freguês do San Lorenzo. Levou de 3x0 pelo Torneio Clausura, em plena La Banbonera.
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Um bebê de 35 dias falando para o mundo 
Quarta, 28 de Fevereiro de 2007, 10:53 PM
O Arquibancada ainda é um bebê de 35 dias, mas já tem algo a comemorar. Recebi relatório da HM9, que hospeda este blog e as estatísticas indicam que estamos chegando perto das 300 visitas diárias.

Há brasileiros acessando o blog da Argentina, do Chile, da Venezuela, da Austrália, do Japão, da Ucrânia, da Tailândia, dos Estados Unidos, do México, de Portugal, da Suíça, da Suécia, da França. Quinze por cento dos nossos leitores estão fora do País.

Isso também se deve à força do pernambuco.com, nosso parceiro desde o início de fevereiro.

Agradeço a todos pela participação e também aos amigos que estão colaborando com o blog.


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