Domingo, 4 de Março de 2007, 06:08 PM
O alvirrubro não perdeu a viagem aos Aflitos neste domingo para ver seu time enfrentar o Ypiranga, algoz na primeira rodada do Campeonato Pernambucano. Queria ver Beto Acosta em campo e viu até o primeiro gol do uruguaio com a camisa vermelha e branca. Queria ver gols de Kuki e viu. Queria gols de Felipe e também viu. Até o zagueiro Índio, que não está acostumado, marcou o seu.Assim, o Náutico estreou no segundo turno. Com uma goleada por 6x0 em cima do clube agrestino.
O placar dilatado demonstra bem a reação do Náutico que se coloca como o principal adversário do Sport neste segundo turno.
O Sport que, com dificuldade e uma boa atuação do goleiro Magrão, conseguiu superar a Cabense por 3x1, no Gileno de Carli. Vitória suada, pois o time de Gallo levou um sufoco no segundo tempo.
Um gol de Bia em chute de fora da área e outro de Ticão, aproveitando falha do goleiro Davi, deram alívio ao Leão. Carlinhos Bala marcou o primeiro gol do Sport.
Na próxima rodada, o Náutico pega um aparente osso duro. O Vera Cruz, que não fez boa campanha no primeiro turno, surpreendeu o Porto em Caruaru, goleando-o por 4x0.
Já os rubro-negros enfrentam o Ypiranga, na Ilha. Mas no domingo têm outro jogo duro. Será contra o Central, em Caruaru.
SÃO PAULO - Edmundo deu um show em cima do Corinthians, de Leão. Palmeiras 3x0 com dois gols do Animal. O treinador corintiano está cada vez mais enforcado no Timão. Também é preciso ter muita coragem para mandar contratar Tamandaré.
RIO DE JANEIRO - O Flamengo levou outra pancada do Madureira, cada vez mais zebra e favorito ao título da Taça Guanabara. Venceu por 1x0 e só precisa de um empate na segunda partida. Valdir Papel está cada vez mais valorizado na bolsa fluminense dos boleiros.
BOCA, VELHO FREGUÊS - Meu amigo e vizinho, Horacio Cometti, já está acostumado. Seu Boca Juniors já freguês do San Lorenzo. Levou de 3x0 pelo Torneio Clausura, em plena La Banbonera.
Quarta, 28 de Fevereiro de 2007, 10:53 PM
O Arquibancada ainda é um bebê de 35 dias, mas já tem algo a comemorar. Recebi relatório da HM9, que hospeda este blog e as estatísticas indicam que estamos chegando perto das 300 visitas diárias.Há brasileiros acessando o blog da Argentina, do Chile, da Venezuela, da Austrália, do Japão, da Ucrânia, da Tailândia, dos Estados Unidos, do México, de Portugal, da Suíça, da Suécia, da França. Quinze por cento dos nossos leitores estão fora do País.
Isso também se deve à força do pernambuco.com, nosso parceiro desde o início de fevereiro.
Agradeço a todos pela participação e também aos amigos que estão colaborando com o blog.
Sábado, 24 de Fevereiro de 2007, 07:16 AM
Em pé: Betão, Estevão, Flávio, Rogério e Zé Carlos Macaé;
Agachados: Robertinho, Ribamar, Nando, Zico e Neco. (foto: arquivo do Sport)
Por Giba Carvalheira /colaborador
O dia 7/2/1988 ficará marcado eternamente na vida da heróica trajetória do Sport Club do Recife, data em que conquistou o seu maior título, o de campeão brasileiro de futebol. Apesar de a partida ter sido realizado em 88, o título foi referente ao campeonato de 87.
Os campeonatos brasileiros daquela época estavam longe da organização dos dias atuais. Cada ano, o número de participantes era alterado ao sabor das conveniências políticas da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), com modelos e fórmulas diferentes. Diante da bagunça generalizada da competição nasce o Clube dos 13.
Esta instituição proclamou-se como a união dos 13 maiores clubes do País, sem nenhum critério de ranking pré-estabelecido, apenas os 12 maiores clubes do eixo Rio-São Paulo-Rio Grande do Sul-Minas, somando-se a eles o Bahia, que tinha grande influência de seu então presidente Paulo Maracajá. A entidade teve como primeiro dirigente máximo o presidente do São Paulo - último campeão de 86 – Carlos Miguel Aidar.
O objetivo desses clubes era criar uma liga, com alguns convidados, monopolizando para si toda a mídia nacional e toda a receita de patrocinadores de peso como a multinacional Coca-Cola.
Os então presidentes e vice da CBF, Otávio Pinto Guimarães e Nabi Abi Chedid, respectivamente, foram pressionados de todas as formas para que o campeonato fosse disputado de acordo com o regulamento estabelecido pelo Clube dos 13, deixando de fora times que tinham direitos legítimos adquiridos, como o Guarani, vice-campeão brasileiro, Bangu, Criciúma, Atlético Paranaense, Vitória, Náutico e o próprio Sport, que tinha se classificado entre os oito finalistas no ano anterior.
Vale lembrar que, no ano anterior, o Vasco havia sido rebaixado para a Segunda Divisão.
Tentando “apaziguar” o ânimo de todos, Nabi Abi Chedid confeccionou uma tabela que dividia a Primeira e a Segunda divisões em quatro módulos, o verde, o amarelo, o azul e o branco. Os dois primeiros, considerados Primeira Divisão; e os dois últimos, Segunda Divisão. Ao final, os módulos verde e amarelo decidiriam o título brasileiro, num quadrangular com os seus respectivos campeões e vices.
O módulo teve como participantes os integrantes do Clube dos 13, mais o Santa Cruz - que contou com grande apoio político de Marco Maciel, então ministro da Educação no governo José Sarney - o Coritiba e o Goiás.
Os demais ficariam no módulo amarelo: times como o Sport, Bangu, Vitória, Atlético-PR, Criciúma, Portuguesa, e também o atual vice-brasileiro Guarani e o campeão paulista Inter de Limeira. Eram dois módulos fortes: a diferença era que o módulo verde teve o patrocínio milionário da Coca-Cola e do Açúcar União – daí o nome de Copa União – mais a verba de televisionamento da TV Globo.
O Sport ganhou o módulo amarelo numa polêmica disputa por pênaltis - polêmica essa que não acabou, acreditem, mas essa é outra história - e o Guarani ficou como vice. O Flamengo ganhou o módulo verde, e o vice foi o Internacional. Pelo fato de o Sport e o Guarani terem rompido com a Coca-Cola por não aceitarem o patrocínio em suas camisas, pois não viam a cor do dinheiro - a multinacional chegou a tentar colocar a logomarca dela no círculo central do campo - procedimento negado por ferir as leis da Fifa -
o então presidente do Flamengo Márcio Braga, e Carlos Miguel Aidar, temendo perder a verba da Coca-Cola, resolveram boicotar o regulamento.
Assim, Flamengo e Internacional não foram a campo, como previa anteriormente o regulamento, para o cruzamento dos módulos.
A CBF manteve a data dos cruzamentos, e Flamengo e Inter perderam a partida, por WO, por se negarem a disputar. Então o Sport e o Guarani decidiram o Campeonato Brasileiro de 87, em duas partidas. A primeira, em Campinas, tendo como resultado 1x1, e a segunda, na Ilha, com o placar de 1x0 para os Leões, gol do quarto-zagueiro Marco Antônio. O Sport se sagrou Campeão Brasileiro de 87, título homologado pela CBF e pela própria Fifa disputando, inclusive, a Taça Libertadores da América.
Essa conturbada decisão nos mostrou o quanto o futebol brasileiro estava desorganizado na época.
Vale lembrar que, em 92, o Grêmio caiu para a Segunda Divisão e, numa virada de mesa, fizeram uma mesma fórmula de cruzamento para o campeonato do ano seguinte. Desta vez a Primeira e Segunda divisões, e o Vitória, que vinha da segunda, foi às finais com o Palmeiras. Ninguém contesta o vice campeonato do Vitória em 93, mas todos contestam o do Sport.
Depois em mais uma virada de mesa veio a Copa João Havelange em 2000, onde, numa situação “espírita”, o Fluminense subiu da Terceira para a Primeira Divisão e o Náutico da Terceira para a Segunda. Parece que as coisas começaram a se normalizar com a competição por pontos corridos, pois, agora, times como Palmeiras, Botafogo, Grêmio e Atlético Mineiro caíram nas últimas quatro edições do Brasileiro e tiveram que jogar bola para subir.
Sábado, 24 de Fevereiro de 2007, 01:22 AM
O blog ficou fora do ar às 15 de ontem e só voltou por volta das 23 horas. Mais uma vez, o problema foi causado na manutenção do servidor. Pedimos desculpas pela falha. Às 11h deste sábado, o blog arquibancada voltará a ser atualizado.Segunda, 19 de Fevereiro de 2007, 06:59 PM
Por Antônio Falcão
O único grande time do Brasil a fazer do ponta-esquerda um ídolo foi o São Paulo, clube no qual Canhoteiro (à direita na foto acima, com o Mestre Zizinho ao centro) vestia a camisa 11. E onde, a partir de 1954, ocupou a vaga de Teixeirinha, que há 15 anos era titular absoluto. Afora isso, o novato Canhoteiro ainda teve o afago unânime da galera são-paulina. E tal carinho se afirmaria em um fã-clube exclusivo – conjunto de admiradores até então inédito no âmbito do futebol brasileiro.
Só que essa torcida não sabia que o extrema-esquerda mulato, de 1,68 m de altura e 61 quilos, fora batizado José Ribamar de Oliveira. E que nasceu no Maranhão, na cidade de Coroatá, em 24 de setembro de 1932. Nem que, antes de surgir no Paissandu de São Luís, a capital, ele foi caminhoneiro e, desde a adolescência, bebia e varava noites tangendo com habilidade as cordas de um violão. Tampouco ninguém atinava que sua terra natal é próxima de Codó, sítio que no início do século passado pariu Fausto Maravilha Negra.
Sobre Canhoteiro, a torcida paulista sabia só que ele fora adquirido pelo alvirrubro cearense América, de Fortaleza, ao ser visto jogando no escrete maranhense, em 53. E que do time do Ceará se transferiu, em 13 de abril de 54, para o São Paulo Futebol Clube, onde chegou a ser chamado de o mágico tricolor, Madrake ou Cantinflas.
Nele, todos amariam o drible moleque, o passe criativo, o chute raso sem chance para o arqueiro, o cabeceio preciso, o afã do gol e o proverbial jeito brincalhão nordestino. Tudo isso divertia a massa. E os colegas de equipe lhe aplaudiam as embaixadas com moeda, laranja, xícara de cafezinho ou tampa de garrafa. A intimidade dele com objetos redondos – diziam em Coroatá – vinha do hábito de ser preso pelo pai a uma mesa, para não ir às peladas. Mas Canhoteiro, embora amarrado ao móvel, valia-se de bolinhas de papel para fazer malabarismo.
Certa vez, contra o Corinthians, em uma só jogada ele fintou o marcador Idário 14 vezes, para delírio da massa. Um desses dribles era o “solavanco": com a bola no pé e na linha lateral do campo, ele atraía os marcadores, girava a cintura para a direita, dava um corte seco e – pimba! – impunha o pique arrasador pela esquerda, levando perigo à meta adversária.
Já em 1955, malgrado a má fase do clube, a arte de Canhoteiro levou-o à seleção nacional, estreando, com Zito, em 17 de novembro, contra o Paraguai, no Pacaembu. E marcando o seu único gol no escrete, que venceu a Copa Oswaldo Cruz. Pelo São Paulo, ele foi ao México ganhar o torneio Jarrito. A viagem serviu para revelar a sua ojeriza por avião. E que, pretextando isso, levava Canhoteiro a beber em escala industrial.
Ano seguinte, no sul-americano do Uruguai, o ponta fez quatro dos 5 jogos do Brasil. E ainda atuou mais cinco vezes pela seleção em amistosos na Europa e no Recife, onde o escrete pernambucano se escalava com Barbosa no gol, mais Zequinha e Aldemar na linha média – estes, adiante, iriam para o Palmeiras.
Em 1957, quando fez tão-só um jogo pelo selecionado, Canhoteiro ganhara pelo São Paulo a Pequena Taça do Mundo, na Venezuela. Nesse ano, Zizinho esteve no tricolor e deu ao time o título estadual. Mais adiante, o Mestre Ziza diria: “No São Paulo, encontrei um punhado de craques. Um deles, Canhoteiro, jamais o esquecerei. Foi o maior ponta-esquerda que vi na minha vida. Em um metro quadrado, ele conseguia passar por três adversários, como manteiga que se aperta nas mãos”.
Pelé – nessa época, iniciando a carreira – viria a ter sobre o ponta tricolor opinião parecida. E o Rei sempre teve por Zizinho idolatria, nunca escondendo que o Mestre era o seu craque predileto.
Outro fã do maranhense, Chico Buarque de Holanda, compôs na música O futebol este ataque: Mané, Didi, Pagão, Pelé e Canhoteiro. Pois bem, em 11 de junho de 57, o são-paulino juntou-se a Garrincha e Pagão no time do Brasil. E na tarde de 13 de maio de 1959, quando Julinho foi vaiado, Canhoteiro jogava com Didi e Pelé. Assim, esse quinteto imaginário da canção se compôs em duas datas. E, com boa vontade, a linha de frente dos sonhos de Chico Buarque existiu, sim.
Em maio de 58, nos preparativos para a Copa do Mundo, Canhoteiro venceu outra Oswaldo Cruz. Nesse mês, após o ponta realizar outro jogo, Vicente Feola o excluiu do grupo por conta de um porre que ele tomara com o half Jadir. (Anos depois, tal exclusão ganhou de Chico Buarque de Holanda este desabafo: “Canhoteiro, cuja camisa Zagallo usurpou na Copa de 58, privando o Planeta de ver o que só eu via”).
Mas, em matéria de escapada noturna, Feola o conhecia bem, pois quando treinou o São Paulo, em 1956, o pau-de-arara fugiu da concentração e se meteu em boate. O técnico foi buscá-lo. Mas, subornando um porteiro, o mágico atacante tricolor vestiu-se de boné e túnica, pôs óculos escuros e plantou-se na frente da boate. Há quem diga que Vicente Ítalo Feola quis saber desse “guarda-portão": – Você viu o Canhoteiro por aí?
Todavia, dando adeus à equipe nacional, o gênio são-paulino ainda fez os dois jogos contra o Chile na Taça O'Higgins – ganha pelo Brasil em 1959. Dessa forma, ele completara 16 pelejas pelo escrete – das quais dez são vitórias, sendo quatro empates.
Na inauguração do estádio do Morumbi, em 60, Canhoteiro dera show na vitória sobre o Sporting Lisboa. Mas foi seu canto do cisne, já que, adiante, em um choque casual com o corintiano Homero, ele sofreu sérias contusões, que lhe valeram duas cirurgias. E jamais voltou a ser o mesmo.
Em outubro de 1963, venderam-no ao Guadalajara mexicano, onde jogou um ano. Lá, integrava grupo musical mariachi, e haja farra. Em 65, foi para o Toluca, também do México. E neste time esteve só seis meses, voltando ao Brasil para ter passagens meteóricas no Toledo paranaense, e pelos Nacional e Saad de São Paulo. Até que, em 1967, fora de forma, encerrou a carreira, trocando de vez a bola pelo copo e o violão.
Entregue ao vício, o pacato José Ribamar de Oliveira – quiçá na amnésia alcoólica – se olvidara que pelo São Paulo havia feito 415 jogos e 102 gols. E que seria por tudo dos mais cultuados ídolos tricolores. Tanto que, até hoje, é o quinto craque na preferência da torcida. E à frente de Friedenreich e Zizinho.
Porém, alheio a isso, esquecido, pobre e bêbado na capital paulista, em 16 de agosto de 1974, Canhoteiro foi vítima de derrame cerebral e se fez minuto de silêncio. Viveu 42 anos e na sua galhofa alegrou o povo de uma geração. Deixaria a viúva e, órfãs, uma filha e a bola. Além do vazio nos bares e noites de viola, em tudo que seja Canhoteiro. Inclusive na personificação do drible.
Em 2003, ainda reconhecido, o maranhense foi relembrado em disco pelos compositores Zeca Baleiro e Fagner. E em livro (Ediouro) comemorativo dos 450 anos da capital de São Paulo, Canhoteiro – O homem que driblou a glória, do jornalista Renato Pompeu
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